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Escritos de Eva

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Escritos de Eva

01
Fev09

Maria José Rijo # O Curinga

eva

Às vezes, sem quê, nem porquê, ocorre-nos pensar cada coisa mais inesperada que, se bem que no primeiro momento, pela surpresa, nos possa divertir, depois, até nos faz reflectir e pensar.
O ano, de 2008, terminava.
Por escolha minha, estava só, como já estivera no Natal.
À medida que o tempo vai passando, cada vez mais, estas e outras datas, ganham tão profundo significado, que o acto de as comemorar requer uma intimidade connosco próprios que só se consegue no silêncio e na solidão.
Minha Avó, frente aos grandes acontecimentos, tristes ou alegres, recolhia-se dizendo: - vou rezar!
Lembro-me de não entender, o que agora se me afigura tão evidente como reconhecer que as nascentes brotam do misterioso interior da terra.
Claro que, estando só, podia escutar dentro de mim, como numa sinfonia, o eco, amalgamado, de tudo o que a Vida já me deu.
Assim, dei comigo lembrando o costume antigo das famílias quando se reuniam, nas tardes, ou aos serões, para conviver, jogar damas, cartas, dominó, xadrez, mah-jong, ao assalto, à glória...
As escolhas eram feitas de acordo com o número de pessoas, as idades e os gostos. Então, em épocas de festividades, nas grandes confraternizações familiares, quando as presenças eram bem heterogéneas, ou se escolhiam os jogos, de acordo com as preferências, por pequenos grupos, ou se fazia uma grande mesa para envolver as crianças e lá aparecia a bolsa - quase sempre - de veludo - com as bolinhas numeradas e os cartões para o loto que dava para entreter muita gente ao mesmo tempo.
Recomendava-se apenas: - quem amua, por perder, não pode jogar e, assim, se estimulava o brio da garotada que não querendo fazer má figura - entre os grandes - aprendia a suportar esses 'pequenos desaires' com dignidade.
Neste fim de ano de 2008, fiz, para meu conforto íntimo, uma retrospecção de memórias acumuladas até onde a lembrança me pôde, ainda, levar.
A certa altura, evoquei as 'paciências' de cartas que tinham, então, uma função calmante, benéfica, apaziguadora do nervosismo das inevitáveis esperas, sempre que alguém faltava ou se atrasava criando preocupação.
Como um reflexo do que recordava, agarrei, ainda hesitante sobre o que fazer, na caixa das cartas. Esvaziei-a sobre a mesa sem vontade definida.
Entretanto, fui manuseando-as, quase a olhá-las uma a uma, como quem revê esquecidos retratos de família.
Parei, nem sei quanto tempo, com as reservadas para jogar o 'crapaud,' segurando-as como um leque.
Crapaud é jogo para dois. Não poderia ser. Uma paciência era a solução possível.
Assim decidi.
Impunha-se, para isso, tirar as cartas que, muito embora sendo do baralho e completando-o, nestes jogos de entretenimento, ficam de fora, porque não são necessárias.
Melhor dizendo: estão de sobra, estão a mais.
Até se podem guardar à parte para evitar que atrapalhem.
Às vezes, se calhar perderem-se, até se poderá lamentar o facto dizendo: foi pena! faziam parte do conjunto...
Mas, logo se aduz, serviam tão pouco! Nem se vai dar por isso. Fiquei a olhar os pobres curingas. Coisa estranha!
Chamei-lhes pobres, porquê?
São os menos comuns. Nalguns jogos até os mais importantes. Valiosos. Há casos em que até exibem um certo mimetismo!
Fazem as vezes de outras com igual préstimo, são, digamos: -poli-valentes...
Estranha na sociedade das cartas, a situação do curinga... Onde pode valer tudo, ou nada...
Pode ser imprescindível ou absolutamente inútil, como sorte de gente.
De muita gente. De tanta gente...nestes jogos de família. Talvez por isso o configurem muitas vezes de clown...
Vá-se lá saber, desse jeito, se está a rir ou a chorar... Nem ele quereria que o soubessem - suspeito!
2009 - chegou! - ou tudo, ou nada ! - Como o curinga. - Rir? - Chorar?
Depende - também - de quem baralha, dá cartas e tem o jogo na mão...
Haja esperança!
Embora se saiba que há quem faça batota e ganhe sempre...
Feliz 2009!
 
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in Jornal Linhas de Elvas, 8 de Janeiro de 2009
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Disse  Maria José Rijo:  Tempos melhores, só virão com Homens melhores, e esse esforço, essa luta, é de todos nós !
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30
Set07

Maria José Rijo # O Gato Pias – Perder e Ganhar

eva
Perder e ganhar são palavras tão correntes, tantas vezes repetidas a propósito de tudo e de nada que penso valer a pena meditar um pouco nelas.
Afinal, o que é perder e o que é ganhar?
Será que se ganha quando se pode por o pé sobre o peito do adversário deitado por terra, como é de uso ver nas fotografias de caça, mormente se a peça abatida tem peso e tamanho de vulto?
Será?
Será que alguém se pode considerar vencedor porque dispondo de poder como o caçador dispõe da arma subjuga e cala os adversários, será?
Então se assim é porquê a preocupação permanente de algumas pessoas em aproveitar a propósito e a despropósito circunstâncias de acaso querendo-as transformar em oportunidades – que em verdade não o são, e só colocam mal quem, sem sentido algum de conveniências, exibe o seu mau gosto, falta de educação, e falta de respeito pelos outros – para exultantes, pisarem no seu semelhante?
Será assim tão incontrolável a necessidade de se justificarem perante os outros, sendo, como se fazem crer, tão donos das verdades e das soluções?
Na realidade arrogância não significa segurança, nem certeza de coisa alguma.
Arrogância pode muito bem significar insegurança e medo, esforço irreprimível para abafar a incomodidade da consciência que jamais adormece...
Um vencedor não se define por falar de poleiro.
Nunca será vencedor quem nada acata dos sentimentos dos outros e faz e desfaz obras de outrém só porque detém o mando e quer, e pode, exibir a sua força.
Penso que não serão jamais esses os vencedores.
Vencedor é quem resiste.
Vencedor pode ser quem na aparência perde, mas luta, arrisca, sofre, suporta incompreensões, incómodos, grosserias, sarcasmos soezes, mas não se nega à luta de rosto descoberto.
Vencedor é quem entra na contenda sabendo que lhe falta a força, o poder, mas não dobra porque lhe sobra consciência dos seus direitos e dos seus deveres, da sua obrigação de não renegar aquilo em que acredita.
Pensava nestas e em outras coisas. Pensava, porque lendo jornais, escutando noticiários, até vendo novelas, a reflexão se nos impõe.
Apeteceu-me então, o que estou a fazer, chamar a atenção para a maneira como desde sempre, em todos os tempos alguns poderosos exerciam e exercem o poder.
Como a cobiça, a má fé, a perfídia, se podem dissimular sob falsas aparências. Vencer, ganhar...
Só cada qual sabe o que lhe vai no coração. Às vezes, quem morre vencido à luz dos homens é vitorioso à luz de Deus. O contrário também pode ser realidade.
O que não deixará porém duvidas a quem quer que seja – é que é sintoma de falta de carácter desrespeitar e achincalhar, a despropósito, um adversário vencido como se qualquer espécie de poder elevasse um Homem acima dos outros Homens.
Pensava assim quando com um sorriso me ocorreu a história do gato Pias.
Aprendi-a recentemente, mas não a esquecerei por certo.
Expulso de uma ilha grega onde habitava respondeu a quem incrédulo lhe perguntou: (vendo-o sem malas nem embrulhos) - então partes sem bagagem?
“Omnia mea mecum porto” (levo tudo comigo) respondeu sensatamente o gato.
Todos levaremos tudo connosco quando partirmos de vez. E, tal como o gato, não precisaremos nem de malas nem de relatórios, medalhas, condecorações, ou álbuns de fotografias das “maravilhas”que tivermos erguido neste mundo.
Apenas e sem hipótese alguma de escamotear – quaisquer que tenham sido os resultados – espectaculares ou nefastos – as nossas mais secretas intenções estarão sem disfarce possível como nossa única bagagem.
Levo tudo comigo – trazemos tudo connosco.
Omnia mea mecum porto.
Quer em latim, quer traduzida, a frase é curta – vale a pena fixá-la e
Meditá-la.
Vale mesmo a pena.
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in  http://paula-travelho.blogs.sapo.pt/
de Maria José Rijo
(in Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.555 de 12/5/00
Conversas Soltas)
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