Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Da inactividade

Há dias que nem conseguimos levantar da cama. O despertador toca… e repete a toada… e nós – nada!
É um torpor? É não querer sair da cama? É do quentinho? Ou, simplesmente, as forças para um novo dia não estão assim tão disponíveis quanto seria de esperar?
Algo acontece nessa altura e tem relação com a saúde, seja a saúde física ou a mental.
Porque se estamos saudáveis o descanso é, essencialmente, para refazer as forças necessárias para o trabalho.
Por muito que alguns se admirem, somos seres trabalhadores de modo inato. A falta de trabalho, assim como o excesso, é doentia.
Por isso muitos dos que estão inactivos por desemprego, falência, reformas e pré-reformas, etc., rapidamente encontram actividades em que se podem dedicar laboriosamente.
Hoje há imensos que se dedicam ao trabalho voluntário em instituições que os valorizam e então a troca emocional que se dá é equilibrada. Uns precisam de ajudantes de boa vontade, outros gostam de ajudar e sentir-se úteis.
O físico e o sistema mental entreajudam a duplicidade de emoções e os objectivos de utilidade humanitária.
Numa época em que tanto se fala de individualismo como de humanitarismo há um tempo de enaltecimento do trabalho honesto.
Curiosamente é também uma época em que tanto se fala de exigências, de condições excepcionais no trabalho, como se fala de inactividade. As exigências, caprichos e corrupção continuam presentes em todo o lado.
Curioso é observar, igualmente, que a exigência que enaltece o indivíduo é, afinal, a exigência moral e o trabalho deve ser feito e organizado com brio moral e material interligando o indivíduo e a sociedade.
- Sem aniquilar nenhum deles, não é?
- Evidentemente, há que encontrar as condições úteis para ambas as partes.

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Trabalho voluntário
Imagem retirada da net
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Disse  Machado de Assis:  O tempo é um químico invisível, que dissolve, compõe, extrai e transforma todas as substâncias morais !
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publicado por eva às 00:36

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Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Sobreposição

Olha, que é aquilo? Tão bonito!
- Gostas de viver a vida, não gostas? Aquilo… é apenas uma flor, um jarro desfocado.
- Mas como pode ficar tão belo?
- Porque o seu branco, desfocado, torna-se pérola, o amarelo fica com se fossem fios dourados e o verde das folhas e caule formam o verde seco e pálido que se vê em renovada composição visual.
- Pois… não sei! Só sei que esta composição que se formou é linda! Desfocada ou focada.
- Efectivamente, é uma foto muito feliz e, afinal, numa composição tão simples.
- São as cores e flores de Primavera. Parece que o mundo se alegra para nos alegrar também.
- Somos felizes vivendo em paz. Às vezes as notícias de guerra, e guerrilhas, parecem mentira, uma loucura sangrenta baseada em alguns idealismos.
- Parece irreal não se encontrarem as soluções para se viver melhor.
- Depende da importância que se dá às coisas da vida. Há quem se apegue à vida e há quem a desfrute com simplicidade.
- Sim, parece ser a sobreposição de questões materiais às questões espirituais do ser.
- Enfim, a cada um a importância que decide dar à sua vida!

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Imagem retirada da net

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Disse Demófilo (António Machado): Os únicos bens verdadeiros são os do espírito. Podemos transmiti-los sem nada perdermos deles; até aumentam quando os partilhamos !
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publicado por eva às 00:30

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Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Caminhos

Aparece um rosto branco como se saísse da neve. Daquela neve que cai em flocos suaves e que se cola, ou adere a tudo «como quem não quer, mas faz».
Os olhos são fundos e escuros. Parece ser um rosto de homem – vê-se mal.
Mas sim, é um homem. E agora vê-se mais nitidamente que está com uma capa, ou capote, com capuz.
Está só e aponta um caminho pela estrada onde estamos.
Então, vamos todos por esse caminho que, de terra e entre árvores, vai dar a uma praia.
Está escuro e a praia deserta, a não ser a nossa presença.
O tal homem olha fixamente para o horizonte e todos esperamos…
É que estávamos perdidos, ou desnorteados de direcção, quando ele apareceu.
Por isso quando nos mostrou um caminho, que ninguém tinha visto antes, o seguimos de bom grado.
Esperamos ainda algumas horas, até que começou a nascer o Sol.
No horizonte, para onde ele olhava, apareceram os primeiros raios de luz coloridos.
Pouco depois já clareava meio círculo de luz sobre as águas, que agora pareciam estar lá, mais longe.
Nesta altura já podíamos avançar, pois via-se bem o novo caminho.
Estava, como o outro, mesmo à nossa frente – e não o víramos.
Era de areia muito branca e fina.
Um novo areal estendia-se até perder de vista e escondia as águas.
Chuvas de estrelas cintilantes caíram sobre as nossas cabeças e, espantados, olhámos o Sol, bem luminoso.
Surgiu então um lago transparente e lá continuámos o novo caminho lembrando os versos «Caminhante não há caminho, faz-se o caminho ao andar…»

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William Turner – Pôr-do-sol num Lago
Imagem retirada da net


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Disse  Antonio Machado y Ruiz:  Caminhante, não há caminho. Faz-se o caminho ao andar !
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publicado por eva às 00:38

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Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Trovoadas

Céu enevoado de trovoadas, carregado de electricidade, carregado de energias.
Todos sentem, mas não sabem o que é, nem sequer o que provoca nas suas vidas, ao seu dia-a-dia.
Vulgaridades do tempo. Do tempo que voa célere, sem amarras – avançando nas horas, indubitavelmente.
Nós também não conseguimos parar, ninguém pode – melhor ou pior, em liberdade ou arrastados –, temos o nosso dia para cumprir e o nosso trabalho para fazer.
O céu, nestes dias, parece um duro capacete em cima de nós.
Não, não tão acima. Logo em cima das nossas cabeças, exercendo alguma pressão.
E se nós não nos elevamos e enfrentamos esses céus enevoados, então são as nuvens que descem e nos envolvem.
Nestes dias os aviões voam bem acima das nuvens…
Não se vê bem – há um brilho prateado e bege que envolve tudo, como uma autêntica manta ou xaile.
- Deixa lá, amanhã é outro dia e o que não for hoje, amanhã poderá ser.

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John Constable
Imagem retirada da net
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Disse  Machado de Assis:  Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem !
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publicado por eva às 00:28

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Bem vindos! Namastê!

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Aquilo que pensas ser o cume é apenas mais um degrau - Séneca

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