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Escritos de Eva

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Escritos de Eva

11
Mai11

Por maluco queres dizer diferente…?

eva

huva, vento. Sol e frescura de uma brisa suave.

- Bom dia!

- Olá, por aqui? Bom dia para ti também.

- Posso ficar aqui um bocadinho?

- Gostas disto aqui? Olha lá uma mantinha… que dizes destes panos de lã?

- Fazem-me quentinho. Oh, se fazem!

- Fica aí então o tempo que quiseres.

- Já acordaste? Estavas cansado. Dormiste uma tarde inteira!

- E olha que ainda dormia mais… Mas vais embora para tua casa e não sei se me queres aqui ou se me vais pôr na rua?

- Não precisas de ir para a rua. Olha, deixo-te água e ali comida. Se quiseres casa de banho vais ali ao quintal, está bem? Senão, não te vão deixar ficar aqui. Queres assim? Até amanhã.

- Até amanhã, obrigado. Vou falar ao anjo dos cães por ti.

- Manda-lhe cumprimentos meus e já agora pergunta-lhe se sabe da minha cadelinha Lucy que morreu há anos. Será que ela está bem?

- Coitado está cada vez mais maluco…

- Por maluco queres dizer diferente e que não o entendes?

- Hã?

 

08
Dez10

Natal todos os dias?

eva

- orque será que alguns pedem para ser Natal todos os dias? Não é para receber prendas constantemente, ou é?

- É um modo de dizer que é bom sentir afabilidade natalícia todo o ano, os semblantes mais radiosos, as mentes cheias de pensamentos renovados de amizade, cordialidade e geralmente novos planos ou novas ideias mais positivas…

- Nestes últimos anos… não sei…

- Mas o Natal também pode ser bem diferente disto e tornar-se um tempo de amargura por comparação entre a infelicidade que um sente comparada com a felicidade que paira no ar, geralmente nesta altura do ano.

- Pois, parece uma loucura alegre e, muitas vezes, desenfreada querendo comprar de tudo.

- Realmente muitas pessoas perdem a cabeça com as contas, outras preferem roubar a dizer que não têm para dar… Enfim, tanto pode ser uma época trágica como alegre e bem vivida junto de famílias que arranjam um tempo para estar juntas.

- Pois, pelo menos uma vez no ano fazem esse esforço e é vê-los tentar a todo o custo alternar os dias e turnos de trabalho com pequenas férias para o conseguir.

- Mas é isso mesmo a vida – um esforço constante para conseguir ser melhor e ver os outros mais felizes.

- Bem, então até eu digo que deveria ser Natal todo o ano.

- Por mim, basta que seja um Natal digno desse nome a cada ano. Já é uma variante.

- Variante boa é a de novas receitas de fritos que encontrei na net, queres ver?

- Bem, querer, querer, é querer prová-los, isso sim!

- Esse é o teu espírito de Natal para este ano?


09
Jul09

A sabedoria da loucura

eva

Parecem penduradas numa abóbada azul claro, azul céu.
- O quê?
- As pérolas! Estão espalhadas por essa abóbada e nós seguimos viagem, como que voando por uma imensidão de céus sucessivos e cada qual mais bonito que o anterior. Passamos um arco, ou melhor, duas colunas que deveriam ter formado, alhures, os lados de um arco. Nesta altura, as tais colunas são inundadas por um facho de luz que revolteia de permeio. E paisagens novas sucedem-se, sendo que as partes mais escuras são os nossos problemas, ou as preocupações que a nossa personalidade tece e que no-los ligam à terra em vez de nos libertar para esses céus.
- Será possível que as jóias te provoquem tanta ilusão, um desvario desses?
- Mas estas pérolas não são dessas jóias vulgares – são jóias de sabedoria – e não é ilusão, é desvario mesmo.
- Desvario? Se o classificas, deves saber o que dizes?
- Desvario, por não estar sempre aqui, por me deixar arrastar para longe desta maravilha por um quase nada. Desvario de dor, de dor por mim mesma.
- Mas há deveres… e responsabilidades…
- Pois há, e elas chamam-me. Algumas eu amo muito e volto por todo esse amor que lhes tenho. E tento explicar-lhes como devem fazer para chegarem também ali. Mas quase nunca me faço ouvir e se, finalmente, consigo tal feito, não me acreditam e continuam a viver como antes tal e qual. Por algumas outras, nada apelativas, volto também, nessa urgência do dever. Mas, nesses casos, o resultado ainda costuma ser pior e eu mesma me espalho – estatelo – completamente num chão de pedra e choro de tanta dor… também para nada de útil nem produtivo.
- Tens que sair dessa loucura…
- De qual delas?
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Imagem retirada da net
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Disse Fernando Pessoa: Saber interpor-se constantemente entre si próprio e as coisas é o mais alto grau de sabedoria e prudência !
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18
Jun09

Loucura pacífica

eva

Paredes quase brancas, entre o creme e o rosado. Flores – cravos - em grande ramo e postas num jarrão de pé alto.
Tão lindas e como alegram a divisão!
Por mim, sou incapaz de as cortar em botão; apenas quando, como estas, já estão bem abertas.
E não há dúvida que estes ramos naturais embelezam a casa.
Uma casa e divisão que são ocupadas por uma mulher doente, bastante alienada, que não distingue a torrente de pensamentos que tem.
- Não percebi!
- Ela não consegue concentrar-se porque os pensamentos fluem em torrente desorganizada por múltiplos assuntos.
- Não consegue debruçar-se sobre nenhum tema, é isso?
- Pois, assim é! Pensa, pensa, e não pensa nada de jeito. Pula de tópico em tópico para voltar atrás e avançar então mais um pouco na dedução de cada tema.
- As conclusões, então, demoram a ser elaboradas.
- Pois, pois.
- Ou seja, os pensamentos voam e flutuam sem se tornarem úteis.
- Nem úteis nem nada a não ser tremendamente cansativos, dando-lhe a impressão de sentir-se louca, mas convencida que é erro porque consegue raciocinar e cumprir os compromissos, mesmo sem se lembrar deles.
- Mas é doença, não é?
- Tem diagnóstico, tem! Os tratamentos dão pena porque não a melhoram. Pelo contrário, fazem-na flutuar com os pensamentos e não sentir o chão firme. Já demonstra cansaço e gostava de ser mais compreendida. 
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Lynnda Rakos - A Loucura do mistério
Imagem retirada da net
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Disse  Heinrich Heine:  A verdadeira loucura talvez não seja mais que a própria sabedoria que, cansada de descobrir as vergonhas do mundo, tomou a inteligente resolução de enlouquecer !
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13
Jan09

Loucura(zitas)

eva

Estudo ou ensaio sobre a loucura.
- Mas, qual delas?
- Evidentemente que há muitas e cada vez mais são estudadas em pormenor.
- Então?
- Então há muitas loucuras que têm referências em lesões cerebrais e outras que não.
- Não?
- É o que te digo, há pessoas alucinadas que não apresentam lesões ou outro indicador nos exames que fazem.
- Bem, isso há sempre, mas são situações passageiras de cansaço, ou tristeza, ou alegria, etc., em que não se sabe bem o que se diz ou faz. Mas, no cômputo geral, a pessoa está bem.
- Pois não está, claro que não! E nem vou falar dos que se tornam violentos instantaneamente. Se não há loucura, seja em que grau seja, há no entanto perturbação psíquica.
- Mas, se vamos por aí, estamos todos afectados…
- Também não estou a falar dessa generalização. Estou a querer referir que há muitas loucurazitas que muito atrapalham os familiares e os ambientes de trabalho.
São os vícios particulares de quem ninguém fala, ou porque não querem ou porque não podem.
Estou a referir-me a perturbações como as depressões tão constantes que se tornam o estado normal da pessoa.
Estou a falar dos que têm ideias fixas contra si mesmos, contra os outros, e que tudo fazem para as conseguir realizar.
Também dos que se suicidam e ninguém desconfiou de tal intenção e nenhum médico soube sequer que o indivíduo existia porque não foi a nenhuma consulta.
- Em suma, estás a falar dos doentes com perturbações mentais conhecidas só por eles mesmos ou nos meios mais restritos.
- E dos que nem sabem que estão (ou são) doentes e das possibilidades de tratamento e de cura que já existem. O que dá pena é pensar que se tornam infelizes sem conseguirem lograr a tentativa de melhorar-se.

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Mitos - Juan O’Gorman
Imagem retirada da net

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Disse  António Damásio:  É uma emoção que nos faz sentir se determinada decisão é boa ou não !

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07
Jan09

Loucura

eva

Confia… confia… – segredava uma voz suave.
Foi o suficiente! Ele já não confiou mais.
Estava a sentir-se entorpecido e leve ao mesmo tempo.
Ainda não tinha definido de si para si o que estava a sentir, nem se era agradável ou desagradável.
Mas aquela voz, essa, é que não podia estar na sua cabeça.
Porque ali na sala da sua casa – não estava ninguém a não ser ele.
Na rua, nem vivalma e os vizinhos do lado ainda não tinham voltado das férias de Inverno.
Que era aquilo? Sonhava ou alucinava?
Foi, com muito esforço, desentorpecendo aos poucos e conseguiu, então, abrir os olhos.
Pensara correcto – tudo continuava vazio e deserto. Nada lhe poderia ter falado assim.
Fechou novamente os olhos e tentou rememorar o que sentira minutos antes.
Novamente ouviu, mas duas vozes conversavam e comentavam que ele tinha ido embora porque elas – vozes – lho tinham permitido.
As vozes continuavam dizendo que estava livre porque elas o deixaram. E seguiram-se muitas gargalhadas histéricas.
Percebeu, entretanto, que as vozes eram de um casal e que a voz feminina perguntou, ainda, à voz masculina - se tinha feito tudo bem, como ele tinha mandado?
A resposta foi afirmativa e que mesmo fora do seu alcance, ele voltaria quando quisessem.
- E foi assim Dr. – estou louco? Eu pensei logo em Deus, porque só Ele tem a Misericórdia Divina que liberta!

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de Margarete Bagshaw
Imagem retirada da net

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Disse  Clarence Edwin Ayres:  Um pouco de imprecisão poupa um monte de explicações !

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09
Jun08

Mais lá que cá

eva
Ela olha para o céu e já lá está.
- Quê?
- Foi o que ela disse. Olhava para o céu e ficava lá.
- Mas que quer isso dizer?
-Não sei bem. Acho que ficava com a imagem do céu em si mesma, como se ficasse pendurada no ar com aspecto de céu.
- Hum! E depois?
- Depois ficava feliz e em paz – nada enervada e bem-disposta.
- Só assim… no céu…
- Acho que percebi! Pode ser com qualquer coisa da natureza!
- Por exemplo?
- Por exemplo, uma árvore. Olha-a e fica como ela; ou um rio, e fica como ele.
- Presa ali?
- Que ideia! Exactamente ao contrário. Fica livre de preocupações, de tudo!
Funciona como um tratamento de limpeza, de purificação mental e física. Porque até as dores e mal-estares do corpo podem passar ou, pelo menos, diminuir.
- Só assim?
- Bem, ela tem fé, ou seja, é fiel a Deus. Confia nele. Ela é assim mais lá que cá…
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Salvador Dali
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Disse  Albert Einstein:  O mais incompreensível do mundo é que ele seja compreensível !
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