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Escritos de Eva

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Escritos de Eva

11
Mai09

O ideal

eva

Flores e flores. Olhando-as com cuidado, ou melhor, observando-as, as pétalas abrangem toda a objectiva.
Porque parecem aumentar 100, 1.000 vezes o seu tamanho.
A princípio o aumento faz reparar em pormenores que, antes, ainda não se viam.
Depois, o aumento excessivo faz perder os pormenores, até a focagem se transforma em desfocagem e as flores ficam apenas uma mancha da cor original.
- Então, o meio-termo é o ideal!
- Sim, mais uma vez a sensatez ou o meio é o caminho para a qualidade.
Agora, as flores viajam no interior do seu olhar, no céu e no espaço.
Por elas vê naves espaciais, estrelas e toda a espécie de corpos que estão, ou passam, por quem lá está.
Tudo é focado até exaustão ou até desfocar sem tino.
- Sabes que ao falares assim, fizeste-me lembrar os que se deixam levar pela vida sem nexo. Só porque sim! Porque dá trabalho dizer que não. Porque a inércia ganha terreno à coragem.
- Mas é tão diferente partilhar algo com alguém, em vez de se anular só para não falar no assunto.
- Às vezes surge o medo de perder algo bom e fica a preferência de ter pouco, em vez de não ter nada.
- Isso é um modo doentio de viver. Não podemos estar bem com todos e tudo. Isso é despersonalizar-se e aprisionar-se por vontade própria.
- Pois será, será! Porém, é o próprio que tem que decidir o que quer da vida que tem. Lembro a parábola de Jesus sobre os talentos, em que vários servos, de modos diferentes, trouxeram de volta os talentos que lhes foram dados para produzirem rendimento.
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Imagem retirada da net

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Disse  Tahar Ben Jelloun:  Dizer sim a tudo e a todos é como não existir !

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06
Abr08

Natália Correia # Auto-Retrato e Ultrabiográfico

eva
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A autora para o mês de Abril é Natália Correia
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Natália Correia nasceu na Fajã de Baixo, a 13 de Setembro de 1923, na Ilha de São Miguel, Açores. Veio estudar para Lisboa ainda criança e cedo iniciou a sua actividade literária. Poetisa, ficcionista, ensaísta, tradutora, dividiu a sua criatividade pelo teatro e pela investigação literária.
Destacada figura da cultura e da intervenção política, viu vários dos seus livros serem apreendidos pela censura, chegando a ser condenada a três anos de prisão com pena suspensa, acusada de abuso de liberdade de imprensa.
Morreu em Lisboa a 16 de Março de 1993.
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AUTO-RETRATO

Espáduas brancas palpitantes;
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
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In “Poemas”
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ULTRABIOGRÁFICO

Por um mistério de cerejeira
Subiu a terra. Floriu em mim.
Ah, não ser eu a trepadeira
Com que cheguei ao meu jardim!

Uma gaivota como alimento,
Se é ser gaivota voar assim
Nesta voluta de alheamento
Da carga de ouro dum bergantim.

Se houver raiz ela é por dentro,
Que a minha raça é ser por fora
A esmeralda em que concentro
Uma linhagem que me devora.

Pela teoria dum instrumento
De sete cordas ou de nenhuma,
Sou uma frase escrita pelo vento
Numa parede como a bruma.

Que sexta-feira de estilhaços!
(na via-sacra é a paixão)
Se já morri foi nos meus braços
Por não haver ressurreição.

Cheguei a esta mitologia
Como os ciganos, pelo caminho.
Na minha humana eucaristia
Não há o pão. Só bebo o vinho.

Deixem ao céu a concordata
Com uma flor, se lhe apetece.
Mas não me mostrem santos de prata
Como quem mostra o que padece.

Para Jeová, sofro de mais.
Para o demónio, sofro de menos.
Prefiro os olhos dos animais
E o meu vestido de ver a Vénus.
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In “Passaporte”
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Disse Tahar Ben Jelloun : dizer sim a tudo e a todos é como não existir !
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Outros poemas de Natália Correia neste blog:
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