O valor das coisas
Ela chamava e chamava…
Tinham-lhe dado tanta coisa e ela não as conseguia usufruir.
Não lhes dava qualquer valor, quanto mais o valor que as coisas tinham.
Valor por si mesmas e valor para a vida dela.
Valor para o seu passado, presente e futuro.
E ela nem as valorizava. Até, muitas vezes pelo contrário, as desvalorizava ou sequer as via, ou percebia.
Enfim, a ignorância por um lado, a distracção por outro e aquela enorme desilusão que carregava não ajudavam à sua felicidade.
Porque temos sempre tudo o que é necessário para viver a vida que, de um modo ou de outro, merecemos viver.
Temos a dicotomia em nós – o querer e o não-querer, o saber e o não-saber, o poder e o não-poder, etc. etc.
No meio do seu clamor apareceu-lhe uma flor.
Ela esperou um pouco. E voltou ao clamor, mas mais pausadamente.
Porque clamava para acalmar a desilusão de si mesma.
A flor começou a desabrochar e ouviu que poderia querer mais consolar que ser consolada, compreender mais que ser compreendida.
Lembrou a Madre Teresa de Calcutá. E calou.
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