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Escritos de Eva

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Escritos de Eva

10
Jan09

Do mundo invisível

eva

Pelas ruas, nos largos e avenidas, todos vão passando apressados – são os saldos!
Ou a oportunidade de conseguir vestir-se e calçar-se mais barato.
São sacos e sacos de compras em quase todas as mãos.
As dela continuam vazias e vão protegendo o peito, conforme lhe é possível.
Está só, no meio de todos os outros que lá se vão desviando dela, às vezes no último instante antes de tropeçarem nela.
Mas não a insultam, nem em pensamento. Ela, ali está quieta e muda para os outros.
Mas ela fervilha em actividade interior e vai vendo, desenrolando-se à sua frente, acontecimentos que não estão lá. E outros mais, e vê os vales e a escuridão e as luzes.
Ela vê campos e passagens estreitas. Ela vê outros e ninguém.
E continua quieta porque não consegue mover-se realmente.
Aliás, nem percebe que está ali, naquele recanto que a isola e defende o mais possível.
Ela vê guerras e a destruição que fica do pós-guerra. Ela sente o desânimo e agonia de crianças e dementes que não percebem porque estão a sofrer.
Ela sente risos e alegrias em muitos. Ela sozinha sente o mundo e pressente o que o Amor e Caridade poderiam fazer.
- Mas ela está só!
- Ali, onde está, sim. Mas outros vão sentindo o mesmo pelo mundo fora.
- E a tua esperança é optimista até onde?
- Ahh! É maior que a Terra!

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de Ken Costello
Imagem retirada da net

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Disse  Jorge Luis Borges:  A vida é pobre demais para não ser também imortal !
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22
Out06

C. S. Lewis # O Cavalo e o Seu Rapaz

eva
22 de outubro de 2006
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Oh, por favor... por favor, vai-te embora. Que mal te fiz? Oh, sou a pessoa mais infeliz do mundo!
Mais uma vez sentiu o bafo quente da Coisa na mão e no rosto e ouviu-a dizer:
- Vês? Isto não é o hálito de um fantasma. Diz-me o que te aflige.
Aquele hálito tranquilizou um pouco Xassta. Por isso lhe contou como nunca conhecera o pai e a mãe e como tinha sido duramente criado por um pescador. Depois contou a história da fuga, como tinham sido perseguidos por leões e obrigados a nadar para salvar a vida; e falou de todos os perigos de Tashbaan, da noite passada entre os Túmulos e de como os animais vindos do deserto o haviam ameaçado com os seu uivos. Falou ainda do calor e da sede da viagem pelo deserto e de como estavam quase a chegar ao destino quando outro leão os perseguira e ferira Arávis. E também de como não comia nada há muito tempo.
- Não acho que sejas infeliz – disse a Voz Profunda.
- Não achas que foi pouca sorte encontrar tantos leões?
- Só havia um leão – respondeu a Voz.
- Que queres dizer? Acabei de te contar que havia pelo menos dois na primeira noite e...
- Só havia um, mas era rápido de pés.
- Como sabes?
- O leão era eu. – Xassta ficou de boca aberta, sem saber o que dizer, e a Voz prosseguiu: - Eu era o leão que te forçou a reunires-te a Arávis. Eu era o gato que te reconfortou entre as casas dos mortos. Eu era o leão que afugentou os chacais enquanto dormias. Eu era o leão que deu novas forças aos cavalos nos últimos quilómetros para que tu chegasses a tempo junto do Rei Lune. E eu era o leão de que não te recordas e que empurrou o barco onde te encontravas, uma criança às portas da morte, de modo que chegaste a terra, onde estava um homem sentado, acordado à meia-noite, para te receber.
- Então foste tu que feriste Arávis?
-Fui.
-Mas para quê?
- Criança – respondeu a Voz -, estou a contar-te a tua história, não a dela. Só conto a cada pessoa a sua própria história.
- Quem és tu? – perguntou Xassta.
- Eu mesmo – respondeu a Voz, tão profunda e tão surda que a terra tremeu. – Eu mesmo – repetiu de uma forma nítida, sonora e alegre. – Eu mesmo – repetiu pela terceira vez, num murmúrio tão doce que era quase inaudível, embora parecesse provir de tudo o que havia em redor, como trazido pelo sussurrar das folhas.
...............................................
Aproxima-te, Arávis, minha filha. Vê! As minhas patas parecem de veludo. Desta vez não serás arranhada.
- Desta vez? – perguntou Arávis.
- Fui eu que te feri. Sou o único leão que encontraste em todas as tuas viagens. Sabes por que te arranhei?
- Não.
- Os arranhões nas tuas costas, golpe por golpe, dor por dor, sangue por sangue, foram iguais aos vergões que ficaram nas costas da escrava da tua madrasta devido à droga que lhe deste para adormecer. Precisavas de saber o que se sente.
- Sim, estou a ver. Por favor...
- Pergunta, minha querida.
- Ela vai sofrer mais devido ao que eu lhe fiz?
- Criança – respondeu o Leão – estou a contar-te a tua história, e não a dela. ... ...
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in " As Crónicas de Nárnia", vol. 3 - "O Cavalo e o Seu Rapaz"
de Clive Staples Lewis
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