Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

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Quarta-feira, 29 de Julho de 2009

Brincadeiras

- Se todos nos entreajudarmos vamos conseguir com certeza…
E todos deram as mãozitas e fizeram a rodinha do costume, cantarolando esta e outras canções, mais que sabidas e decoradas.
Decoradas a ponto de acordarem a cantar sozinhos.
Muitos, assim que acordavam, já davam pulos na cama enquanto os pais os iam vestindo, entre os pulos e os escorregas instantâneos pelo colchão e pela roupa da cama.
Viviam uma época feliz de suas vidas, da sua infância privilegiada.
Era Verão e o bom tempo reclamava brincadeiras ao ar livre.
- Ao ar livre? Hoje em dia essas brincadeiras não existem! Hoje são os jogos de consola e outros electrónicos do género – individuais e de jogar fechados em casa.
- É verdade, mas estes tinham outra sorte e outra iniciativa.
- Faziam desportos radicais para manter os valores de adrenalina?
- Não, brincavam simplesmente, como nós em criança.
- Na rua? Formando grupo nos becos sem saída?
- Que ideia! Pensa com simplicidade que, concordo, é mais difícil descortinar. Mas ainda existe e existirá sempre quem consiga passar entre os pingos da chuva sem se molhar.
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Imagem retirada da net
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Disse  Khalil Gibran:  Protegei-me da sabedoria que não chora, da filosofia que não ri e da grandeza que não se inclina perante as crianças !
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publicado por eva às 20:14

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Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Trabalho e aprendizagem

- Eu não lhe dei essa confiança de me tratar por tu.
- Não deste?
- Não, nem sequer o conheço, ora esta!

O que eu acho disto, por aqui, é que se está a confundir quase tudo.
Tomam-se os resultados pelas premissas e vice-versa. Todos temos a aprender, e muito, com tudo o que se passa à nossa volta, aqui e fora daqui.
Estamos no trabalho e em horas de trabalho. Porém, não faltam distracções, idas e vindas lá fora, pensamentos demasiados persistentes para se pensar nas tarefas que se estão a fazer.
Ora, se mais não fosse, há uma questão – a da segurança pessoal – que fica completamente relaxada.
Muitas e muitas vezes todo o corpo se mexe em movimentos rotineiros, que nem sequer são lúcidos porque já são completamente mecânicos.
Se há um imprevisto, a pessoa cai no chão, porque nem tem tempo para nada.
Como se pode entender que não haja atenção para estas situações?
Ou que nem sequer se faça um aviso? Ou se escreva – em formato cartaz – para toda a gente ler e saber?
O trabalho pode e deve ser também um local de aprendizagem útil para a experiência da vida de cada um.
Não é somente um lugar de produção do objecto trabalhado – isso seria impessoal, até imbecil.
Em cada momento, em cada instante da nossa vida, aprendemos – se quisermos – e melhoramo-nos. A nós e à nossa felicidade.

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Michel Roudnitska
Imagem retirada da net

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Disse  Khalil Gibran:  A perplexidade é o início do conhecimento !
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publicado por eva às 00:31

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Domingo, 29 de Junho de 2008

Khalil Gibran # O Dom

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ENTÃO um homem rico disse:
- Fala-nos do Dom.

E ele respondeu:

- Dais muito pouco,
quando dais daquilo que vos pertence.

Quando vos dais a vós mesmos
é que dais realmente.

Que é aquilo que vos pertence,
senão coisas que conservais ciosamente,
com medo de vir a precisar delas amanhã?

E amanhã,
que trará o amanhã
ao cão demasiado prudente
que enterra os ossos na areia movediça
enquanto segue os peregrinos
a caminho da cidade santa?

E que é o medo da miséria,
senão a própria miséria?

Quando o vosso poço esta cheio,
não é o medo à sede
que torna a vossa sede insaciável?

Alguns dão pouco
do muito que têm,
e fazem isso
em troca do reconhecimento,
e o seu desejo oculto
corrompe os seus dons.

Outros têm pouco
e dão tudo.

Estes são os que acreditam na vida,
na bondade da vida,
e o seu cofre nunca está vazio.

Há quem dê com alegria,
e esta alegria é a sua recompensa.

Há quem dê cheio de dores,
e essas dores são o seu baptismo.

Há ainda quem dê, inconsciente, da sua virtude,
sem nisso sentir dor nem alegria.
Dão como os mirtos do vale
que a espaços atiram para o céu
o seu perfume.

É bom dar quando nos pedem;
e é bom dar sem que nos peçam,
como bons entendedores.

E para o homem generoso,
procurar aquele que vai receber
é maior alegria do que dar.

E haverá alguma coisa
que possais conservar?
Tudo quanto possuís
será dado um dia.

Portanto, dai agora,
para que o tempo de dar seja vosso
e não dos vossos herdeiros.

Muitas vezes dizeis:
- Gostava de dar
mas só aos que merecem.

As árvores dos vossos pomares
não falam assim,
nem os rebanhos das vossas devesas.

Dão para poderem viver,
porque guardar é perecer.

Por certo
aquele que é digno de receber
os seus dias e as suas noites,
é digno de receber de vós
tudo o resto.

E aquele que mereceu
beber do oceano da vida
merece encher a sua taça
do vosso regato.

E que maior merecimento
do que aquele que reside
não na caridade,
mas na coragem e na confiança
de receber?

E quem sois vós
para que os homens
devam rasgar o peito diante de vós,
vencendo o orgulho,
para poderdes ver o seu mérito
a descoberto
e a sua altivez manifesta?

Procurai primeiro
merecerdes ser doadores
e instrumentos de doação.

Porque, em verdade,
é a vida que dá à vida,
e quando julgais ser doadores,
sois apenas testemunhas.

E vós que recebeis
– e todos sois recebedores –
não atireis para cima de vós
o peso da gratidão,
sob pena de impordes um jugo
a vós mesmos e àquele que dá.

Mas elevai-vos
juntamente com o doador,
usando os dons como asas.

Porque ligar demasiada importância
à vossa dívida
é duvidar da sua generosidade,
que tem por mãe a Terra magnânima
e Deus como pai.
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de Khalil Gibran
in “O Profeta”

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Disse  Khalil Gibran:  Trabalhar com amor é deixar em quanto fazeis um sopro do vosso espírito !
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Outro texto de Khalil Gibran - Que pensar
Outro texto de Khalil Gibran - Os olhos  
Outro texto de Khalil Gibran - A nova fronteira
Outro texto de Khalil Gibran - O amor
Outro texto de Khalil Gibran - O casamento
Outro texto de Khalil Gibran - As crianças

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publicado por eva às 01:18

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Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

Nem sonho nem pesadelo

Uma cova funda que faz lembrar o interior de um vulcão que vi uma vez em filme. Tudo negro e íngreme, no entanto ainda se vê um patamar ou nesga de passagem que desce, desce…
Tudo cada vez mais escuro e, lá em baixo, em vez da massa ao rubro que se via no tal filme, está o chão duro da rocha e um pouco molhado – como se corresse ali um riacho.
Isso fez-me procurar para onde ia a água na expectativa de encontrar uma saída.
Nada. Nada de nada. O chão acabava já ali para recomeçar uma subida, de qualquer modo impossível, desse lado – só voltando pelo mesmo caminho.
Lá em cima, muito acima, estava a claridade do céu azul.
Parece que, afinal, somos um grupo e isso reconforta-me um pouco.
Nem sonho nem pesadelo.
Há uma chamada de nomes e aqueles que são referidos começam a aparecer e a sair de … humm… parecem celas com grades… e agora, vamos todos juntos, como num elevador, para uma nova plataforma que se formou – agorinha mesmo – com tanta luz e calor do sol que todos protegemos os olhos, já habituados ao negrume.
- Então e depois?
- Depois fomos todos, felizes, para novos postos de trabalho. Este já estava terminado!

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Fotograma do filme "What Dreams May Come" (Para Além do Horizonte)
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Disse  Khalil Gibran :  Quem vive nas trevas não consegue ser visto, nem vê nada!
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publicado por eva às 20:01

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Domingo, 22 de Junho de 2008

Khalil Gibran # As Crianças

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E UMA mulher
que trazia um menino ao colo
disse:
- Fala-nos das Crianças.

E ele respondeu:

- Os vossos filhos
não são vossos filhos:
são filhos e filhas
do chamamento da própria Vida.

Vêm por vosso meio
mas não de vós;
e apesar de estarem convosco,
não vos pertencem.

Podeis dar-lhes o vosso amor;
mas não os vossos pensamentos:
porque eIes têm pensamentos próprios.

Podeis acolher os seus corpos;
mas não as suas aImas:
porque as suas aImas
habitam a casa de amanha
que não podeis visitar,
nem sequer em sonhos.

Podeis esforçar-vos por ser como eles;
mas não tenteis fazê-los como vós.
Porque a vida não vai para trás,
nem se detêm com o ontem.

Sois os arcos, e os vossos filhos
as setas vivas projectadas.

O Arqueiro vê o alvo no caminho do infinito,
e reteza-vos com o seu poder
para que as setas
possam voar depressa para longe.

Que a vossa tensão na mão do Arqueiro
seja de alegria.

Porque assim coma Ele gosta
da seta que voa,
também gosta do arco que fica.
 
.
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de Khalil Gibran
in “O Profeta”
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Disse Khalil Gibran : Somos irmãos gémeos, ó Noite, porque tu revelas o espaço e eu revelo a minha alma !
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Outro texto de Khalil Gibran - Que pensar
Outro texto de Khalil Gibran - Os olhos
Outro texto de Khalil Gibran - A nova fronteira
Outro texto de Khalil Gibran - O amor
Outro texto de Khalil Gibran - O casamento

Outro texto de Khalil Gibran - O dom
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publicado por eva às 14:51

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Domingo, 15 de Junho de 2008

Khalil Gibran # O Casamento

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ALMITRA falou de novo e disse:
- Mestre, que pensais do Casamento?

Ele respondeu, dizendo:

- Nascestes juntos,
juntos ficareis para sempre.

Ficareis juntos
quando as asas brancas da morte
dispersarem os vossos dias.

Sim. Ficareis juntos
até na silenciosa memória de Deus.

Mas que haja espaço na vossa comunhão;
e que os ventos do céu
dancem no meio de vós.

Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um empecilho:
seja antes um mar vivo
entre as praias das vossas almas.

Enchei cada um o copo do outro,
mas não bebais por um só copo.

Partilhai o pão;
mas não comais do mesmo bocado.

Cantai e dançai juntos, sede alegres;
mas permaneça cada um sozinho,
como estão sozinhas as cordas do alaúde
enquanto nelas vibra a mesma harmonia.

Dai os vossos corações;
mas não a guardar um ao outro.

Porque só a mão da Vida
pode conter os vossos corações.

Mantende-vos juntos,
mas nunca demasiado próximos:
porque os pilares do templo
elevam-se, distanciados,
e o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.
 
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in "O Profeta"
de Khalil Gibran


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Disse  Khalil Gibran:  O vosso corpo é a harpa da vossa alma !
.
.

Outro texto de Khalil Gibran - Que pensar
Outro texto de Khalil Gibran - Os olhos
Outro texto de Khalil Gibran - A nova fronteira
Outro texto de Khalil Gibran - O amor
Outro texto de Khalil Gibran - As crianças
Outro texto de Khalil Gibran - O dom

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publicado por eva às 00:34

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Domingo, 8 de Junho de 2008

Khalil Gibran # O Amor

 

ENTÃO Almitra disse:
-Fala-nos do Amor.

Ele levantou a cabeça
e olhou o povo;
um silêncio caiu sobre eles.
E disse com voz forte:

- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados.

E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.

E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.

Porque assim como o vosso amor vos coroa,
também deve crucificar-vos.
E sendo causa do crescimento,
deve cuidar também da poda.

E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais tenros
que tremem ao sol,
também penetrará ate às raízes
sacudindo o seu apego a terra.

Como braçadas de trigo vos leva.

Malha-vos até ficardes nus.

Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do palhiço.

Mói-vos até à brancura.

Amassa-vos até ficardes maleáveis.
Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pão sagrado no festim de Deus.

Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer
os segredos do vosso coração,
e por este conhecimento
vos tornardes um bocado
do coração da Vida.

Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair da eira do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.

O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.

O amor não possui
nem quer ser possuído.

Porque o amor
basta ao amor.

Quando amardes, não digais:
-Deus está no meu coração,
mas antes:
- Eu estou no coração de Deus.

E não penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos julgar dignos,
marcará ele o vosso curso.

O amor não tem outro desejo
senão consumar-se.

Mas se amardes, e tiverdes desejos,
deverão ser estes:

Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia à noite.

Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência
do amor, e sangrar
de bom grado e alegremente.

Acordar de manhã com um coração alado
e agradecer outro dia de amor.

Descansar ao meio dia
e meditar no êxtase do amor.

Voltar a casa ao crepúsculo
com gratidão;
e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado
e um canto de louvor na boca.
.
.

.in "O Profeta"
.de Khalil Gibran

.
.

Disse  Khalil Gibran:  Quem sabe se o que parece omitido hoje, não espera apenas pelo amanhã !

.

.
Outro texto de Khalil Gibran - Que pensar
Outro texto de Khalil Gibran - Os olhos
Outro texto de Khalil Gibran - A nova fronteira
Outro texto de Khalil Gibran - O casamento
Outro texto de Khalil Gibran - As crianças
Outro texto de Khalil Gibran - O dom

.

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publicado por eva às 01:00

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Domingo, 1 de Junho de 2008

Khalil Gibran - Nota biográfica; A Nova Fronteira

 

KHALIL GIBRAN


Khalil Gibran nasceu a 6 de Dezembro de 1883 em Becharre no Líbano, duma antiga família cristã. A mãe era filha dum sacerdote maronita, rito que deriva directamente da Igreja de Antioquia. Becharre estará sempre presente no espírito de Gibran. Erguendo-se num planalto, à beira das falésias de Wadi Quadisha (que significa vale santo ou sagrado), Becharre acolhia-se à sombra da floresta dos cedros sagrados do Líbano. Em 1894, acompanhando a mãe, emigra para Boston mas, em 1897, regressa ao Líbano para prosseguir os estudos na Escola da Sabedoria de Beirute. Em 1901 visita a Grécia, a Itália, a Espanha e depois instala-se em Paris, para estudar pintura. Nessa época escreve Os Espíritos Rebeldes, livro que viria a ser queimado numa praça pública de Beirute, por ordem das autoridades turcas e condenado como herético pelo bispo maronita.*
Em 1903 Gibran é chamado aos Estados Unidos da América para assistir à mãe moribunda. Permanece em Boston, onde se dedica especialmente à pintura. Em 1908 regressa a Paris e trabalha na Academia Julian e na Escola de Belas Artes, convivendo com Rodin, Debussy, Maeterlinck, Edmond Rostand e outras figuras do mundo das artes. Em 1910 instala-se definitivamente em Nova Iorque e consagra o seu tempo à pintura e à poesia. Morre em Nova Iorque, aos 47 anos de idade, a 10 de Abril de 1931. O seu corpo, levado para o Líbano, repousa na cripta do Mosteiro de Mar Sarkis, em Becharre.
---------------------------------------------------------
* Para se compreender melhor estas posições das autoridades políticas e religiosas é útil fazer-se uma breve resenha histórica do Líbano. A Turquia foi uma das nações mais poderosas do mundo. Dominava todo o mundo árabe, o norte de África e parte da Europa. O Sultão era o dono do império e concedia ao exército um terço dos despojos de guerra. Esta prática manteve bastante vivo o sistema feudal no Império Turco até porque os impostos eram cobrados por agentes que apresentavam propostas ao Sultão em troca do privilégio da cobrança em locais determinados. Este sistema fez com que o mundo árabe vivesse em permanente rebelião contra o Império Turco. A Síria (que incluía as montanhas do Líbano) foi integrada no Império em 1517. No entanto, as montanhas do Líbano eram quase inacessíveis ao exército turco pelo que os habitantes puderam sempre manter a sua própria cultura ao mesmo tempo que mantinham sempre vivo o espírito de independência. Em 1860 eclodiu mais uma guerra civil. A Inglaterra enviou para o local uma armada e a França um exército de 6.000 homens. Uma comissão composta por representantes da França, Inglaterra, Rússia e Áustria reuniu-se com o primeiro ministro turco tendo então sido criada uma área autónoma que não incluía as planícies de Bekka, nem as cidades costeiras, nem mesmo Beirute. Assim, todas as pessoas que chegavam aos Estados Unidos vindas das costas orientais do Mediterrâneo eram classificadas como naturais da Síria. Mesmo após a Primeira Guerra Mundial (em que a Turquia, apoiante da Alemanha, foi expulsa e a França recebeu um mandato da Liga das Nações sobre a Síria e o Líbano), as pessoas que chegavam aos Estados Unidos eram classificadas como naturais da Síria. O domínio francês manteve-se até 1941, ano em que foi reconhecida a independência do Líbano. Por tudo isto, fácil se torna compreender a existência de dois Gibran. Um: o místico, o poeta, o pregador da paz; o outro: o herético, o panfletário, o revolucionário. O homem que, sendo libanês, era também sírio.O homem que escrevia em inglês e árabe mas não vertia os seus textos de uma língua na outra. O homem cujos textos são tantas vezes citados sem indicação de origem e tantas vezes traduzidos e editados sem indicação precisa do ano de produção até porque alguns foram originalmente um artigo de jornal ou uma carta a um amigo. O mais claro exemplo é a célebre frase atribuída a John F. Kennedy "não pergunteis o que pode o vosso país fazer por vós mas perguntai o que podeis fazer pelo vosso país". Este conceito é explicitado por Gibran num seu artigo (A Nova Fronteira) em que incita o seu povo a lutar pelos seus direitos. O Profeta, que está na lista dos livros mais vendidos em todo o mundo há mais de 50 anos, é a mais conhecida obra de Gibran; no entanto As Asas Quebradas, um seu romance em árabe, está ainda há mais tempo na lista dos best-sellers internacionais.
 
 
 
A Nova Fronteira

por Khalil Gibran

 Há duas ideias que constituem um desafio no Médio Oriente presentemente* : antigas e novas.
 As ideias antigas desaparecerão porque estão fracas e gastas.
 Há no Médio Oriente um despertar que desafia o torpor. Este despertar dominará porque o sol é o seu líder e o amanhecer o seu exército.
 Nos campos do Médio Oriente, que têm sido um imenso cemitério, ergue-se a mocidade da Primavera que pede aos ocupantes dos sepulcros que se levantem e marchem em direcção às novas fronteiras.
 Quando a Primavera entoar o seu hino os mortos do Inverno erguer-se-ão, largarão as mortalhas e avançarão.
 Há no horizonte do Médio Oriente um novo despertar; aumenta e expande-se; estende-se e submerge todas as almas sensíveis, inteligentes; penetra e ganha a simpatia de corações nobres.
 Presentemente, o Médio Oriente tem dois senhores. Um decide, ordena, é obedecido; mas está à beira da morte.
 Mas o outro está silencioso na sua concordância com a lei e a ordem, esperando calmamente a justiça; é um gigante poderoso que conhece a sua própria força, confiante na sua existência e crente no seu destino.
 Presentemente, no Médio Oriente, há dois homens: um do passado e outro do futuro. Qual deles sois vós? Aproximai-vos; deixai que olhe para vós e deixai que me certifique, pelo vosso aspecto e pela vossa conduta, se sois um daqueles que se aproxima da luz e entra na escuridão.
 Vinde e dizei-me quem e o que sois.
 Sois um político, que pergunta o que o vosso país pode fazer por vós ou um zeloso, que pergunta o que podeis fazer pelo vosso país?
 Se sois o primeiro, então sois um parasita; se sois o segundo, então sois um oásis num deserto.
 Sois um mercador que se serve da necessidade da sociedade para as necessidades da vida, para o monopólio e o lucro exorbitante? Ou um homem sincero, trabalhador e diligente que facilita e partilha com o tecelão e o agricultor? Cobrais um preço razoável como intermediário entre a provisão e a procura?
 Se sois o primeiro, então sois um criminoso quer vivais num palácio ou numa prisão. Se sois o segundo, então sois um homem caridoso quer sejais agradecido ou denunciado pelo povo.
 Sois um chefe religioso, tecendo um manto para o corpo da ignorância do povo, talhando uma coroa da simplicidade dos seus corações, fingindo odiar o demónio apenas para viverdes do seu rendimento?
 Ou sois um homem devoto e piedoso que vê na piedade do indivíduo o alicerce para uma nação progressista, e que consegue ver através de uma busca nas profundezas da sua própria alma uma escada para a alma eterna que dirige o mundo?
 Se sois o primeiro, então sois um herege, um descrente de Deus mesmo que jejueis de dia e oreis de noite.
 Se sois o segundo, então sois uma violeta no jardim da verdade mesmo que a fragrância se perca nas narinas da Humanidade ou o aroma se erga e penetre no ar rarefeito onde a fragrância das flores é preservada.
 Sois um jornalista que vende a ideia e o princípio no mercado de escravos, que vive da miséria do povo como um busardo que pousa apenas numa carcaça putrefacta?
 Ou sois um professor no estrado da cidade ganhando experiência da vida e apresentando-a às pessoas como sermões que aprendestes?
 Se sois o primeiro, então sois uma chaga e uma úlcera. Se sois o segundo, então sois um bálsamo e um remédio.
 Sois um governante que se rebaixa perante aqueles que o nomearam e rebaixa aqueles que deve governar, que nunca levanta uma mão a não ser que seja para meter em bolsos e que não dá um passo a não ser que seja por avidez?
 Ou sois o servo fiel que serve apenas o bem-estar do povo?
 Se sois o primeiro, então sois como um joio na eira das nações; e se sois o segundo, então sois uma bênção para os celeiros.
 Sois um marido que permite a si mesmo aquilo que proíbe à mulher, vivendo à vontade com a chave da prisão nas suas botas, saciando-se com a comida favorita, enquanto ela se senta, sozinha, em frente de um prato vazio.
 Ou sois um companheiro, que não toma nenhuma providência a não ser de mãos dadas, que não faz nada a não ser que ela dê os seus pensamentos e opiniões, e partilha com ela a felicidade e o sucesso?
 Se sois o primeiro, então sois um sobrevivente de uma tribo que, embora se vista com peles de animais, desapareceu muito antes de abandonar as cavernas; e se sois o segundo, então sois o líder numa nação que se move na aurora em direcção à luz da justiça e da sabedoria.
 Sois um escritor minucioso cheio de admiração de si mesmo, mantendo a cabeça no vale de um passado árido, onde os séculos se despojaram do resto das vestes e ideias inúteis? 
 Ou sois um pensador lúcido que examina o que é bom e útil para a sociedade e passa a vida a construir o que é útil e a destruir o que é nocivo?
 Se sois o primeiro, então sois fraco e estúpido e se sois o segundo, então sois pão para os famintos e água para os sequiosos.
 Sois um poeta, que toca tamborim nas portas dos emires, ou que atira as flores durante as bodas e caminha em préstitos com uma esponja cheia de água quente na boca, uma esponja que será comprimida pela língua e pelos lábios assim que chegar ao cemitério?
 Ou tendes um dom que Deus colocou nas vossas mãos para tocarem melodias celestiais que arrastam os nossos corações para a beleza na vida?
 Se sois o primeiro, então sois um impostor que suscita nos nossos corações o que é contrário àquilo que tendes em mente.
 Se sois o segundo, então sois amor nos nossos corações e uma visão nos nossos espíritos.
 No Médio Oriente há duas procissões: Uma procissão que é formada por pessoas idosas que caminham de costas arqueadas, apoiadas por bengalas dobradas; estão ofegantes embora desçam pela encosta abaixo.
 A outra é a procissão dos jovens, que correm como se tivessem asas nos pés, e jubilosos como se tivessem cordas musicais nas gargantas, transpondo obstáculos como se houvesse ímanes a puxá-los pela encosta acima e magia a deleitar os seus corações.
 Quem sois vós e em que procissão seguis?
 Perguntai a vós mesmos e meditai na quietude da noite; tentai saber se sois um escravo do passado ou um homem livre para o amanhã.
 Digo-vos que os filhos do passado caminham num funeral da era que criaram para eles próprios. Puxam uma corda podre que pode rebentar em breve e fazê-los cair num abismo esquecido. Digo que vivem em casas com alicerces fracos; quando a tempestade soprar - e está prestas a soprar - as casas cairão sobre as suas cabeças e tornar-se-ão as suas sepulturas. Digo que todos os pensamentos, frases, discussões, composições, livros e trabalho não são mais do que correntes que os arrastam, porque são demasiado fracos para puxar o peso.
 Mas os filhos de amanhã são chamados pela vida, e seguem-na com passos firmes e cabeças erguidas, eles são a aurora de novas fronteiras, nenhum fumo toldará os seus olhos e nenhum tinido de correntes abafará as suas vozes. São poucos, mas a diferença é como a de um grão de trigo e uma meda de feno. Ninguém os conhece, mas ele conhecem-se uns aos outros. São como os cumes, que podem ver-se e ouvir-se  não como cavernas que não podem ouvir nem ver. Eles são a semente deitada à terra pela mão de Deus, rasgando a vagem e agitando as folhas novas na face do sol. Transformar-se-á numa árvore imponente, com a raiz no coração da terra e os ramos erguidos para o céu.
 
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* Este "presentemente" reporta-se aos finais do séc. XIX e princípios do XX e
Gibran não viveu o tempo suficiente para assistir à concretização do seu sonho, dum Líbano independente
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Disse  Khalil Gibran:  As vossas almas estão famintas e o pão do saber é mais abundante do que as pedras dos vales, mas vós não comeis !

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Outro texto de Khalil Gibran - Que pensar 
Outro texto de Khalil Gibran - Os olhos
Outro texto de Khalil Gibran - O amor
Outro texto de Khalil Gibran - O casamento
Outro texto de Khalil Gibran - As crianças
Outro texto de Khalil Gibran - O dom

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publicado por eva às 19:37

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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Amor de mãe

Ontem foi o dia comemorativo das mães.
A maternidade é algo sublime que a maioria das mulheres pode sentir.
É inexplicável a sensação de um filho a mexer-se dentro da nossa barriga.
É uma ligação tão íntima quanto persistente pelos anos fora.
Eles depois vão crescendo e umas vezes nos desiludem, outras vezes nos consolam.
E nós a eles, de igual modo.
São diferenças de gerações porque a ligação emocional fica.
Hoje li mais uma notícia do pai que sequestrou a filha durante vinte e tal anos e ainda teve sete filhos dela.
Também esta ligação é inexplicável - mas agora no sentido negativo.
O amor maternal ou paternal deveria ser algo mais do que a triste razão de aparecer nos jornais.
Porque também há as mães inexplicáveis.
Resta-nos o apreço por aquelas que dariam a vida para defender os filhos.
E por aqueles que o mesmo fariam até por quem não conhecem, se esses necessitarem de ajuda.
Felizes todos os que conseguem amar com AMOR.
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Amor de mãe (imagem retirada da net)
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Disse Khalil Gibran : Sois os arcos, e os vossos filhos as setas vivas projectadas. O Arqueiro vê o alvo no caminho do infinito, e retesa-vos com o seu poder para que as setas possam voar depressa para longe. Que a vossa tensão na mão do Arqueiro seja de alegria. Porque assim como Ele gosta da seta que voa, também gosta do arco que fica !
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publicado por eva às 22:49

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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

Khalil Gibran # A Nova Fronteira

11 de fevereiro de 2007

......................................
Presentemente (*), no Médio Oriente, há dois homens:
um do passado e outro do futuro. Qual deles sois vós? Aproximai-vos; deixai que olhe para vós e deixai que me certifique, pelo vosso aspecto e pela vossa conduta, se sois um daqueles que se aproxima da luz e entra na escuridão.
Vinde e dizei-me quem e o que sois.
Sois um político, que pergunta o que o vosso país pode fazer por vós ou um zeloso, que pergunta o que podeis fazer pelo vosso país?
Se sois o primeiro, então sois um parasita; se sois o segundo, então sois um oásis num deserto.
Sois um mercador que se serve da necessidade da sociedade para as necessidades da vida, para o monopólio e o lucro exorbitante? Ou um homem sincero, trabalhador e diligente que facilita e partilha com o tecelão e o agricultor? Cobrais um preço razoável como intermediário entre a provisão e a procura?
Se sois o primeiro, então sois um criminoso quer vivais num palácio ou numa prisão. Se sois o segundo, então sois um homem caridoso quer sejais agradecido ou denunciado pelo povo. Sois um chefe religioso, tecendo um manto para o corpo da ignorância do povo, talhando uma coroa da simplicidade dos seus corações, fingindo odiar o demónio apenas para viverdes do seu rendimento?
Ou sois um homem devoto e piedoso que vê na piedade do indivíduo o alicerce para uma nação progressista, e que consegue ver através de uma busca nas profundezas da sua própria alma uma escada para a alma eterna que dirige o mundo?
Se sois o primeiro, então sois um herege, um descrente de Deus mesmo que jejueis de dia e oreis de noite.

Se sois o segundo, então sois uma violeta no jardim da verdade mesmo que a fragrância se perca nas narinas da Humanidade ou o aroma se erga e penetre no ar rarefeito onde a fragrância das flores é preservada.
Sois um jornalista que vende a ideia e o princípio no mercado de escravos, que vive da miséria do povo como um busardo que pousa apenas numa carcaça putrefacta?
Ou sois um professor no estrado da cidade ganhando experiência da vida e apresentando-a às pessoas como sermões que aprendestes?
Se sois o primeiro, então sois uma chaga e uma úlcera. Se sois o segundo, então sois um bálsamo e um remédio.
Sois um governante que se rebaixa perante aqueles que o nomearam e rebaixa aqueles que deve governar, que nunca levanta uma mão a não ser que seja para meter em bolsos e que não dá um passo a não ser que seja por avidez?
Ou sois o servo fiel que serve apenas o bem-estar do povo?

Se sois o primeiro, então sois como um joio na eira das nações; e se sois o segundo, então sois uma bênção para os celeiros.
Sois um marido que permite a si mesmo aquilo que proíbe à mulher, vivendo à vontade com a chave da prisão nas suas botas, saciando-se com a comida favorita, enquanto ela se senta, sozinha, em frente de um prato vazio.
Ou sois um companheiro, que não toma nenhuma providência a não ser de mãos dadas, que não faz nada não ser que ela dê os seus pensamentos e opiniões, e partilha com ela a felicidade e o sucesso?

Se sois o primeiro, então sois um sobrevivente de uma tribo que, embora se vista com peles de animais, desapareceu muito antes de abandonar as cavernas; e se sois o segundo, então sois o líder numa nação que se move na aurora em direcção à luz da justiça e da sabedoria.
.......................................
___________________________________
(*) - K. Gibran nasceu em 1883 e faleceu em 1931

 
in "Espelhos da Alma"
de Khalil Gibran

 
 

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Ver texto integral

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publicado por eva às 10:40

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