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Escritos de Eva

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Escritos de Eva

07
Jun09

José Martins Garcia # Gato eleitor

eva

.
o gato vai votar
hoje o gato é cidadão
lá vai ele a coxear
com a lista na mão

hoje o gato vai votar
vai votar pela justiça
vai deitar a opinião
na liça

lá vai ele a coxear
cheio de justa opinião
lá vai ele a arrastar
com a cauda pelo chão

de repente ouve ladrar
e retrocede apressado
sumindo a lista no chão
e retrocede apressado
pelo sim pelo não
que isto não há que fiar
em assembleias de cão

mal refeito do susto
vai compondo esta canção

era uma vez
um gato português
não dizia sim
nem não nem talvez

era uma vez
um gato português
bebia cerveja
jogava xadrez

era uma vez
um gato português
bebia por dois
dormia por três


era uma vez
um gato português
nem soube o porquê
nem soube o que fez

era uma vez
um gato português
viveu de silêncio
morreu de mudez

era uma vez
um gato português
não dizia sim
nem não nem talvez
.
.

de José Martins Garcia
in "feldegato cantabile"
.

.
Disse  
José Martins Garcia:  A canga é dos objectos afeiçoados pela humana mão aquela que a maior velocidade monta o seu autor !
 
.
28
Mar08

O gato

eva
A senhora vivia sozinha há já muitos anos e, nessa solidão, ficou com um gato.
A dedicação era grande entre um e outro e o gato fazia-lhe muita companhia.
Um dia, sem mais nem ontem, a senhora caiu no chão e não se levantou.
A vizinha ouviu um barulho e como não a ouviu mais nem a viu nos horários dos encontros costumeiros, resolveu ir bater à porta.
Ninguém respondeu, telefonou para a filha e, mais que tarde, foi chamada a ambulância.
A senhora acabou por recuperar o possível, mas está impossibilitada de cuidar de si mesma; tornou-se dependente.
O gato, entretanto na casa vazia,  ficou sem comer nem beber dias e dias. Finalmente a vizinha lembrou-se dele.  A filha já resolveu o «problema» e vai dá-lo a quem o cuide.
A senhora está à espera de vaga para ir para um lar.
Vai chorando baixinho, muito calada e solitária. Não se lembra dela nem de ter perdido a casa ou a independência.
Chora pelo gato - se o trataram bem e sente-se ingrata por não lhe devolver tudo o que ele lhe deu: companhia e alegria; o que ninguém lhe dá!

.
.
.
Imagem retirada da net
.
.
Disse  Mark Twain :  o homem é o único animal que cora - ou que precisa de o fazer ! 
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30
Set07

Maria José Rijo # O Gato Pias – Perder e Ganhar

eva
Perder e ganhar são palavras tão correntes, tantas vezes repetidas a propósito de tudo e de nada que penso valer a pena meditar um pouco nelas.
Afinal, o que é perder e o que é ganhar?
Será que se ganha quando se pode por o pé sobre o peito do adversário deitado por terra, como é de uso ver nas fotografias de caça, mormente se a peça abatida tem peso e tamanho de vulto?
Será?
Será que alguém se pode considerar vencedor porque dispondo de poder como o caçador dispõe da arma subjuga e cala os adversários, será?
Então se assim é porquê a preocupação permanente de algumas pessoas em aproveitar a propósito e a despropósito circunstâncias de acaso querendo-as transformar em oportunidades – que em verdade não o são, e só colocam mal quem, sem sentido algum de conveniências, exibe o seu mau gosto, falta de educação, e falta de respeito pelos outros – para exultantes, pisarem no seu semelhante?
Será assim tão incontrolável a necessidade de se justificarem perante os outros, sendo, como se fazem crer, tão donos das verdades e das soluções?
Na realidade arrogância não significa segurança, nem certeza de coisa alguma.
Arrogância pode muito bem significar insegurança e medo, esforço irreprimível para abafar a incomodidade da consciência que jamais adormece...
Um vencedor não se define por falar de poleiro.
Nunca será vencedor quem nada acata dos sentimentos dos outros e faz e desfaz obras de outrém só porque detém o mando e quer, e pode, exibir a sua força.
Penso que não serão jamais esses os vencedores.
Vencedor é quem resiste.
Vencedor pode ser quem na aparência perde, mas luta, arrisca, sofre, suporta incompreensões, incómodos, grosserias, sarcasmos soezes, mas não se nega à luta de rosto descoberto.
Vencedor é quem entra na contenda sabendo que lhe falta a força, o poder, mas não dobra porque lhe sobra consciência dos seus direitos e dos seus deveres, da sua obrigação de não renegar aquilo em que acredita.
Pensava nestas e em outras coisas. Pensava, porque lendo jornais, escutando noticiários, até vendo novelas, a reflexão se nos impõe.
Apeteceu-me então, o que estou a fazer, chamar a atenção para a maneira como desde sempre, em todos os tempos alguns poderosos exerciam e exercem o poder.
Como a cobiça, a má fé, a perfídia, se podem dissimular sob falsas aparências. Vencer, ganhar...
Só cada qual sabe o que lhe vai no coração. Às vezes, quem morre vencido à luz dos homens é vitorioso à luz de Deus. O contrário também pode ser realidade.
O que não deixará porém duvidas a quem quer que seja – é que é sintoma de falta de carácter desrespeitar e achincalhar, a despropósito, um adversário vencido como se qualquer espécie de poder elevasse um Homem acima dos outros Homens.
Pensava assim quando com um sorriso me ocorreu a história do gato Pias.
Aprendi-a recentemente, mas não a esquecerei por certo.
Expulso de uma ilha grega onde habitava respondeu a quem incrédulo lhe perguntou: (vendo-o sem malas nem embrulhos) - então partes sem bagagem?
“Omnia mea mecum porto” (levo tudo comigo) respondeu sensatamente o gato.
Todos levaremos tudo connosco quando partirmos de vez. E, tal como o gato, não precisaremos nem de malas nem de relatórios, medalhas, condecorações, ou álbuns de fotografias das “maravilhas”que tivermos erguido neste mundo.
Apenas e sem hipótese alguma de escamotear – quaisquer que tenham sido os resultados – espectaculares ou nefastos – as nossas mais secretas intenções estarão sem disfarce possível como nossa única bagagem.
Levo tudo comigo – trazemos tudo connosco.
Omnia mea mecum porto.
Quer em latim, quer traduzida, a frase é curta – vale a pena fixá-la e
Meditá-la.
Vale mesmo a pena.
.
.
in  http://paula-travelho.blogs.sapo.pt/
de Maria José Rijo
(in Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.555 de 12/5/00
Conversas Soltas)
.
 

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