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Escritos de Eva

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Escritos de Eva

22
Nov09

Cecília Meireles # A arte de ser feliz (Crónica 2)

eva
HOUVE um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.

HOUVE um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

MAS, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

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in "Escolha seu sonho"

de Cecília Meireles

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Disse  Cecília Meireles:  O vento é o mesmo: mas sua resposta é diferente, em cada folha !

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31
Dez07

Bom Ano de 2008

eva
Os pais trabalham uma vida. De dia e em muitas, muitas noites em branco – por trabalho, pelos filhos, pela família.
Noites dedicadas às festas, quando eram novos, não contam.
Depois vem a carga dos anos, as doenças que paralisam e tornam dependentes.
E deixam de poder viver sozinhos. Passam a estar ora com um filho, ora com outro.
Ou, apesar de tudo, ficam sózinhos. Logo se vê o que comem e se conseguem lavar-se e manter a casa.
Se não… que os vizinhos os cuidem.
Claro que também podem ir para um lar de terceira idade.
Alguns são de luxo, outros nem parecem ser para pessoas.
Os de luxo têm tudo a preços exorbitantes – fisioterapia, remédios, limpeza, médicos, etc.
Mas há algo que não tem preço porque está acima de tudo o que pode levar essa etiqueta. É o amor, o carinho humano.
Felizmente há muita gente que dedica as suas forças a ajudar os que estão em idade avançada.
Que lhes provocam lágrimas de gratidão nos seus olhos tão enrugados.
Que os fazem olhar para cima, emocionados. Eles, que agora olham quase sempre para o chão. E não é só para ver onde põem os pés…
Felizes sejam os que dão tanta felicidade aos que já não podem com o peso dos anos e das doenças.
Bem hajam! Bom Ano de 2008 para todos nós, vós, eles!
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Imagem retirada da  net
 
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