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Escritos de Eva

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Escritos de Eva

01
Jan09

Novo ano

eva

Novo ano que se inicia, geralmente com bons e variados projectos pessoais.
- Olha, estão na garagem a divertir-se!
- Não estão, não! Só alguns, os outros estão a ser massacrados pelas brincadeiras!
- Pois, lá isso é verdade. Aquilo que para uns é agradável, pode ser penalizante para outros.
- É isso, sim! Quando fazemos algo dando largas à nossa imaginação, devemos pensar se isso não irá contra a vontade dos outros.
- Pela dignidade de cada um e de todos…
- A ideia é essa. Parece tão simples, mas é tão difícil de concretizar para muitos, que só sentem felicidade em hábitos desregrados.
- As épocas festivas são assim, têm muito de tudo – do que presta e do que não presta.
- Pronto, conseguiram fugir e vão embora. Os brincalhões ficaram a rir sem parar. Será que alguma vez vão entender o que fazem?
- Aos outros?
- Já nem falo desses, refiro-me a eles mesmos. Será que ainda não perceberam que conforme fazem assim encontrarão feito para eles também?
- É uma pena, por tão pouco…
- Voltando então aos planos para o ano, que pensas fazer?
- Divulgar, partilhar sempre as informações que pareçam úteis, ou que possam contribuir para ajudar a pisar com mais segurança o caminho eterno da vivência individual e se, para uns, serão boas palavras, para outros nem tanto…
- Então vamos continuar trabalhando no mesmo ritmo, que eu, por meu turno, tenho muito que seleccionar e preparar para publicação.
- Depois deste chocolate quente retomamos então o trabalho.
- Quente, não – a ferver!
- Ora, os dias frios são também para aquecer com doçuras destas…

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Imagem retirada da net

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Disse  Pe. António Vieira:  Ao trabalho corresponde o fruto que se colhe !

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23
Dez08

Intimidades e exteriorizações

eva

Intimidades e exteriorizações.
O que deve continuar íntimo e resguardado? E o que deve ser exteriorizado?
Como calibrar, como equilibrar, como confiar e para quê falar?
O som do silêncio acaba por ser o mais simples para muitos de nós.
Porque umas vezes não parece necessário falar; outras não há coragem para dizer o que não tem palavras que exprimam tanta emoção desencontrada e, por isso, a voz cala-se fundo, com disciplina guerreira.
Outros assuntos, os afáveis e que tornam as conversas fáceis e ágeis – esses sim – são para falar e exteriorizar.
Há penas e alegrias íntimas que só têm determinado valor naquela altura, para aquela pessoa e do modo como acontecem.
Basta variar uma das circunstâncias e todo o panorama pode variar até à completa indiferença ou afectação.
Há dias em que tudo nos impressiona fortemente.
Há dias que nos deixam sonâmbulos de dor.
E há dias que nos fogem e deixam a rir.
Ela viu, ela soube, de toda a luz de uma casa, pequena e simples, e de alguém cá fora com uma lanterna, ou lampião, a ver se iluminava a chegada de outro alguém, muito esperado.
Mas ninguém chegou e o alguém voltou à casa cheia de luz, mas não fechou a porta.
Porque nunca se fecha uma porta de luz.
Assim como nunca nos devemos fechar ao Perdão.
Perdão pelos outros e perdão por nós.
Alguém chegou! Chegou em lágrimas de horror e de culpas.
A luz amenizou a sua entrada e o outro alguém explicou-lhe a paz que o perdão incondicional lhe daria.
Depois poderia encontrar as paisagens branco-pérola e levemente azuladas, caminhar por elas e encontrar-se com o Amor sublime e universal.
Apenas não deveria voltar a fechar-se no horror da dor, na intimidade da dor.

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Imagem retirada da net

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Disse  Pe. António Vieira:  Para aprender não basta só ouvir por fora, é necessário entender por dentro !
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21
Dez08

António Gedeão # Dia de Natal

eva

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Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros - coitadinhos - nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra - louvado seja o Senhor! - o que nunca tinha pensado comprar.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.
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in "Máquina de Fogo"
de António Gedeão

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Disse  António Gedeão:  Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança !
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12
Nov08

Força universal

eva

Água a correr – não sei onde, mas deve ser perto daqui, porque se ouve muito bem.
Parece um «carreirinho» de água a cair, talvez de uma louça ou água de outra água em desnível.
É um barulho relaxante, sobretudo se temos abrigo e estamos aquecidos.
Senão, pode ser algo deprimente e frio.
O calor é mais fácil de definir, porque é quase sempre aconchegante, assim como é uma luz em vez da escuridão.
Assim como são os tons claros das cores.
Assim como os tons suaves das melodias.
Creio que se pode generalizar dizendo que aquilo que transmite suavidade é sempre aconchegante.
Como é um colo de mãe, ou de pai, quando se precisa.
Como é um sorriso doce quando se carece de carinho.
- E suavidade é sinónimo de carinho, não é? Deve ser isso e muito mais ainda, porque não há dúvidas que o Amor é a maior força universal – hoje diz-se cósmica – conhecida e que conduz a felicidade.
- O Amor que todos podemos, porque temos aptidão para sentir e transmitir.

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Alfred Gockel - Sun Dance
Imagem retirada da net

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Disse  Pe. António Vieira:  Em todas as outras coisas o deixar de ser é sinal de que já foram; no amor o deixar de ser é sinal de nunca ter sido !
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15
Mar08

Cultura

eva
Estudos, pesquisas, investigações sobre temas, mais ou menos especializados.
Tempos mais ou menos gastos, mais ou menos demorados, mais ou menos aproveitados.
Mas tudo é necessário e, no cômputo final, é gratificante o que se aprende e os conhecimentos que se adquirem e vão completando as nossas ideias.
Enfim, uma culturazita especializada que vai acrescentar a cultura que a vida, por outros meios, vai permitindo.
Há pessoas que são "um poço de cultura", extasiando pela sua conversa e presença agradável, sempre renovada de interesse.
Há umas gerações atrás, tal só era conseguido a partir de certa idade; hoje, com os meios disponíveis, podemos encontrar jovens já com uma vasta cultura.
Isto corresponde a conhecimentos mais alargados e maiores possibilidades de investigação científica, por mais indivíduos ao mesmo tempo; e daí pressupõe-se mais progresso para a humanidade.
E a esperança de que os valores humanistas ultrapassem a importância dos economistas e políticos, vai-se mantendo acesa.
Apesar dos horrores que ouvimos ou lemos, há sempre a esperança que não seja sempre assim e que a mente vá manter-se aliada ao coração, sem grandes materialismos.
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Imagem retirada de http://europa.eu 

..
Disse 
António Alçada Baptista :  nasci em pleno reino do ter. Agora estamos no reino do fazer, mas tenho uma certa esperança de que um dia se alcance o reino do ser !
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02
Dez07

António Gedeão # Poema da Malta das Naus

eva
.
Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.
.
Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo,
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.
.
Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das praias,
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.
.
Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.
.
Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.
.
Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.
.
Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.
.
Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.
.
O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.
.


.in "Teatro do Mundo"
.de António Gedeão
.
.

.
22
Abr07

António Damásio # O Sentimento de Si

eva
22 de abril de 2007

Sem qualquer excepção, homens e mulheres de todas as idades, de todas as culturas, de todos os graus de instrução e de todos os níveis económicos têm emoções, estão atentos às emoções dos outros, cultivam passatempos que manipulam as suas próprias emoções, e governam as suas vidas, em grande parte, pela procura de uma emoção, a felicidade, e pelo evitar das emoções desagradáveis. À primeira vista, não existe nada de caracteristicamente humano nas emoções, uma vez que é bem claro que os animais também têm emoções. No entanto, há qualquer coisa de muito característico no modo como as emoções estão ligadas às ideias, aos valores, aos princípios e aos juízos complexos que só os seres humanos podem ter, sendo nessa ligação que reside a nossa ideia bem legítima de que a emoção humana é especial. A emoção humana não se reduz ao prazer sexual ou ao pavor dos répteis. Tem a ver, igualmente, com o horror de testemunhar o sofrimento e com a satisfação de ver cumprida a justiça; … …
O impacto humano de todas as causas de emoção acima citadas, refinadas ou não, e de todas as tonalidades de emoção que estas provocam, subtis e não tão subtis, depende dos sentimentos gerados por essas emoções. É através dos sentimentos, que são dirigidos para o interior e são privados, que as emoções, que são dirigidas para o exterior e são públicas, iniciam o seu impacto na mente. Mas o impacto completo e duradouro dos sentimentos exige também a consciência, pois só com o advento do sentido do si podem os sentimentos tornar-se conhecidos do indivíduo que os experimenta.
.
In “O Sentimento de Si”
de António Damásio

17
Dez06

António Botto # Nove d'Abril

eva
17 de dezembro de 2006

...Louvar a guerra? - Loucura
...Que é preciso arrancar
...De quem a quiser sentir!
...A humanidade não deve
...Atraiçoar a razão
...Fundamental de existir.
.
...
Punhais, espadas, metralha,
...Tudo isso para quê,
...Se a vida pode ser bela?
...- O homem à luz do amor
...Chegaria ao infinito
...Para tocar uma estrela!
.
...Viver na lama sinistra
...De uma trincheira atascada
...De mortos e podridão,
...É perder a consciência
...Do que vale para a vida
...Ter no peito um coração.
.
...
Morrem cem mil? Não importa?
...Em nome da Pátria, quantas
...Infames negociações!
...Soluços! Caem por terra
...Nas lágrimas dos vencidos
...As mais altas ilusões.
.
...
Conquistar novas bandeiras,
...Chegar além!..., Mais além!...,
...Matar, impor, destruir,
...É tombar, ingloriamente,
...Na maravilha fatal
...Do eterno Alcácer-Kibir!
.
in "Baionetas da Morte"
de António Botto, ed. 1936
.

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