Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

O aneurisma

Chuvas, tempestades, enxurradas e cheias.
Depois o sol a lembrar que a cada tempestade sucede a bonança.
O sol é obscurecido por novas nuvens de chuva mas, de seguida, brilha ainda com mais força.
É sempre assim, em eterna mudança. Nas vidas de cada um, sucedem-se os tempos bons e os outros.
Parecem testes à esperança, à alegria que, nos piores momentos, quase desaparece.
Mas é a esperança em ser feliz, em voltar a ser feliz, que não nos deixa cair quando tudo desaba.
Hoje encontrei uma senhora, casada e com uma filha pequena, que sofreu um aneurisma o ano passado.
Foi uma agonia para todos e ela só soube, por outros, que esteve em coma bastante tempo.
Não se lembrava nada desse tempo, nem dos dias em que recuperava para cair novamente em coma.
Ficou admiradíssima quando lhe relatei que, nesses dias melhores, mesmo sem se lembrar quem era ela própria, continuava com a delicadeza do costume nos gestos, mesmo os ainda incoerentes.
Que tentava sempre esforçar-se por conseguir fazer o que, nem por sombras, conseguia.
Que manteve sempre a força de vontade e iniciativa, para ser o melhor possível, a cada instante.
Que os médicos se admiraram porque não conheciam outro caso assim e que pensaram sempre que seria milagre se recuperasse a razão.
Há milagres, há merecimentos e há também vontade de os fazer acontecer.
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Josephine Wall
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Disse  Miguel de Cervantes :  Quem perde a saúde perde muito; quem perde um amigo perde ainda mais; mas quem perde a coragem, perde tudo !
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publicado por eva às 08:32

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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Preocupações

Passeios de excursão escolar. Preocupação de mães, pais e avós.
Tantos acidentes, que aparecem na televisão ou nas notícias, não dão para descansar.
Por mais positivo que se queira ser, as dúvidas e incertezas são mais sentidas.
Às vezes dá impressão que a inconsciência, ou a loucura, saíu à rua em forma de condutor desnorteado.
É um dos problemas actuais, o individualismo exacerbado num mundo que gira à volta das pressas e da concorrência.
É necessário vigiar mais as emoções indisciplinadas e que só prejudicam, mais cedo ou mais tarde, quem as deixa fugir do controlo da vontade.
Vontade de bem fazer, vontade de se aperfeiçoar no trabalho ou na tarefa que desempenha.
Porque hoje são outros mas amanhã poderemos ser nós.
Porque à velocidade a que tudo acontece e decorre, não é possível evitar os problemas, apenas remediá-los.
No outro dia vi um rapazinho novo, cego e sem a noção de quem era sequer, acompanhado pela mãe para tratamentos de fisioterapia.
Um acidente do tempo e do espaço. Um instante que lhe marcou o futuro desta vida.
Seres humanos, tão inteligentes e tão insensatos, tomam a vida saudável como uma certeza.
Pensam que o amanhã é como o hoje, com gente querida à sua volta.
A solidão da velhice é uma probabilidade tão possível como o hoje estarmos vivos.
Pensar na vida que cada um tem e tentar melhorá-la é a atitude sã que cada um deve enaltecer. 
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 .
Andy Warhol
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♪: Un di felice, eterea - Verdi (La Traviata)
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publicado por eva às 08:46

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Sábado, 20 de Janeiro de 2007

A dádiva e o tesouro

20 de janeiro de 2007

Num dia estava óptima, no noutro acordou zonza e deprimida.
Dormiu mal, disse. Mas achámos que o aspecto não era só disso.
Esperámos mas passou o dia tristonha e abatida. Nada mais.
No dia seguinte gemia de dores e tinha febre.
- Alguma gripe dessas, esquisitas, que andam por aí. Até se morre delas, se não se vai a tempo!
- Qual tempo, qual nada! Morrem porque são gripes desconhecidas e sem remédios!
- Olha que não é só gripe! É alguma infecção!
- Tenho que ir ao médico.
Horas e horas. Finalmente, após dezenas e dezenas com os mesmos sintomas, lá foi diagnosticada a doença e os remédios mais apropriados.
- Agora, cama e caldos!
Então, mais sossegada das dores, lá ficou a dormir.
- Acorda! É para os remédios!
Febre, enjoos, dores. Um corpo prostrado.
- A doença é um horror.
- Horror é mas, no teu caso, serve para dares mais valor à saúde e cuidares mais de ti, quando te sentes bem. Estar atenta aos sintomas (sem o desvario da mania das doenças) é bom e útil. Os sintomas já tinham que estar há dias. Porque não ligaste?
- Estou habituada a estar bem.
- Já te disse que a vida é como as ondas do mar. Ora vêm altas, ora baixas, ora ondulam mansamente ou não.
Dar significado aos nossos dias é uma preciosidade.
A vida é uma dádiva. A saúde o seu tesouro.

publicado por eva às 19:39

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Segunda-feira, 10 de Julho de 2006

A felicidade da saúde

10 de julho de 2006

Tubos, fios, aparelhos e ais. Muitos ais.
Sonolência, olhos mal abertos ou mal fechados (dependendo da vontade positiva ou não).
Letargia. Tanta que até se vai verificar se respira. Sim senhor, respira até arfar.
Os aparelhos marcam números, gráficos. Os tubos conduzem líquidos de frascos.
O do oxigénio borbulha sem parar.
Pelo corpo há ligações de agulhas, eléctrodos, pensos, placas e sei lá que mais.
Os ai-ais continuam. Mas ele dorme em pesada apatia.
Hora de comer e ele come. Quando se insiste em alguma pergunta, até responde.
Mas tem aspecto de estar longe. Muito longe dali.
Outros melhoram mais rapidamente.
Cá fora, muito sol. Muitas esplanadas com gente despreocupada da saúde.
E afinal ela é tudo o que temos para viver bem neste corpo.
O amor é o que temos para ser felizes.
Que fazer para entender estas dádivas e cultivá-las em nós e nos outros?
Se há valor no desejo, desejemos bem.
Desejemos valorizar a felicidade da saúde e poder amar.
Desejemos valorizar as coisas simples da vida.
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publicado por eva às 23:00

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Sexta-feira, 12 de Maio de 2006

Azáfama nos portões e entradas. Ambulâncias, carros e pessoas

12 de maio de 2006

Azáfama nos portões e entradas.
Ambulâncias, carros e pessoas apressadas.
Exames, elevadores, macas, enfermeiros e auxiliares.
Cheiros a comida e barulho de carrinhos e loiças. Quartos, duches.
Enfermarias e outra vez macas e elevadores.
Estão todos verdes. Pronto! É a cirurgia.
Anestesistas e anestesias. Sono. Tanto sono.
Sala nova e enfermeiras preocupadas com os valores das máquinas.

Ena! Tanta máquina.
Uma criança chora. São saudades de casa e dos pais.
A mãe já está lá. Luzes de candeeiros.
Não se consegue mexer um músculo mas as enfermeiras estão satisfeitas.
As máquinas não falham.
Mais luzes, mas estas não são das lâmpadas.
São feixes dirigidos: são luzes azuis. Iluminam só as zonas do corpo que foram tratadas.
Parece que uma estrela está no centro da sala. Não percebo como está ali.
Vai abrir ao centro e o seu brilho encandeia.
Tudo fica iluminado como se fosse meio-dia de sol forte.
Tenho que fechar os olhos.
Que é isto? A sala desapareceu.
Ficou uma pérola branca.
E a luz. Lindo!

publicado por eva às 14:58

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Quarta-feira, 5 de Abril de 2006

As portas de guarda-vento abriram-se e entrei num corredor

5 de abril de 2006

As portas de guarda-vento abriram-se e entrei num corredor de hospital, com quartos à direita e gabinetes à esquerda.
Carrinhos de metal estavam pelo meio denunciando a azáfama da higiene dos doentes. E também dos quartos.
Cheiros de café com leite e flocos ou papas. Esse era o carrinho dos pequenos almoços - babetes de papel, tigelinhas, colheres e guardanapos - tudo de uma só utilização.
Pães com manteiga com aspecto fofinho e os doentes mostram a satisfação de os poderem já comer.
A saúde é uma benção que só se nota quando se perde a independência.
Olhares parados, alguns choros - outros alegres porque tiveram "alta".
Uma estrela brilhante eu envio para cada quarto. Eles volvem a cabeça e dão um sorriso tímido.
Alguns estão demasiado quietos e parecem ter frio. Vou tapá-los.
Surge um brilhozinho nos olhos - como diz a canção.
E eis talvez o mais importante do dia - esse brilhozinho - que apareceu nos olhos de quem sofre em silêncio.

publicado por eva às 17:12

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Aquilo que pensas ser o cume é apenas mais um degrau - Séneca

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