Mudanças relativas
-
deus, bye bye!!
- Então, onde vais?
- Vou já de férias, oh se vou!
- Vais satisfeito – sem dúvida alguma.
- Pois vou. Olha que há mais de 2-3 anos que não sei o que isso é.
- Ora essa! Ainda no ano passado foste tirar uns dias de férias e fora daqui.
- Oh, nada disso! Fui para o campo, mas fui ter com familiares…
- E isso é mau?
- Lá estás tu… Claro que não é – totalmente… O que te digo é que a sintonia da vida continua impecável.
- Hã?
- Hã? Pois é assim mesmo! Vejamos: quando reencontramos a família, que acontece?
- Cumprimentamo-nos cheios de saudades e depois perguntamos e queremos saber de toda a gente que durante o ano fomos perdendo o rastro.
- Exactamente! Ou seja, ficamos na mesma, tal e qual. Não que isso seja mau, não, nada disso… Mas não encontramos a liberdade de férias – verdadeiramente sentidas.
- Não, isso talvez não. Isto é, mudamos a rotina do trabalho remunerado para outra rotina e trabalhos não remunerados. Porque nessas férias também se trabalha, e bastante, fazendo o que durante o ano não tivemos oportunidade de fazer e em conformidade com o horário e quereres familiares.
- Ou seja, são apenas mudanças relativas…
- Bem, não conseguimos, geralmente, arranjar nem o espaço nem o arejamento mental que precisamos para recuperar forças e renovar o nosso oxigénio nas ideias, conforme o fôlego e a capacidade de armazenamento para enfrentar os novos tempos que aí vêm.
- Bem, boas férias!
- Para ti também, melhores férias em sítios onde não reconheças ninguém e possas estar incógnito.
- Para isso não é preciso ir longe, nem em clima de luxo…
- Evidentemente, apenas é preciso preparar esse retiro.
