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Escritos de Eva

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

Escritos de Eva

21
Dez10

Queremos sempre o que os outros têm

eva

- á ‘tá!

- Já ‘tá o quê, ‘miga?

- Já está internado, o qu’ hav’ria d’ ser.

- Quem?

- O doente d’ q’arto ao lado, deram-lhe as palpit’ções e me’ ‘migo lá vai ‘le.

- E’tão e ‘gora?

- ‘gora nã’ se’, nã’ so’ méd’ca, nã’ tenh’ nad’ a ver com iss’.

- Ma’ nã’ tens pena nem nad’?

- Nã’! é um ‘lívio, isso sim.

- Par’ qu’ fazes ess’s trabalhos  se nã’ gostas?

- E’tão o trabalho é p’ra se gostar, ora tu? Faço-o bem fe’to qu’ é minh’ obrigaçã’, o rest’ log’ se vê, ora!

- Felizes os qu’ gosta’ do trabalh’ qu’ fazem!

- Ora, ‘miga nã’ há disso!

- Há sim, garanto qu’ há.

- E’tão devem ser muito felizes ess’s e se calhar nem sabem a sort’ qu’ têm.

- A maior parte nã’ ‘valia bem iss’, não.

- Mas iss’ ‘contece por tod’ lad’, só s’ ‘valia a sorte qu’ se tem quand’ se perde. Só queremos sempre o qu’ os outros têm, nã’ é verdade?

- Pois, sã’ raros os qu’ gostam do qu’ têm e vivem felizes.

- E ‘final é só iss’ o necessário p’ra viver bem, pois nã’ é ‘miga?

- Quem dera ‘miga!


19
Dez10

O silêncio não tem nada de simples

eva

ilêncio!

Que silêncio há aqui, que é isto afinal?

Ah, então é isso?

Mas gosto!

Então porque não me calo?

Porque…

Acho que não consigo fazer silêncio em mim.

Gosto de sentir esta força

Não pensei que o silêncio tivesse tanta força

Mas… por outro lado… não suporto bem essa força

Acho que vai desabar algo dentro de mim

E assusta-me.

Porque não fico mais vezes em silêncio comigo?

Acho que nunca fiquei, assusta-me!

Talvez? Talvez seja isso

A pureza do silêncio completo!

O simples silêncio não tem nada de simples!

Vou tentar… oh, sim! Vou tentar encontrar esse silêncio em mim.

 

18
Dez10

O tempo certo

eva

ush e Mimi estão a passear no relvado com a pachorrentice própria de tartarugas fora de água.

Vão esticando o pescoço estilo olho de submarino a querer ver a superfície.

Sentem-no mas não o vêem e por isso movem-se ainda mais lentamente.

E Miau espreita, efectivamente, como uma estátua muito perto delas.

Acho que nem respira, só as olha tão espantado como elas estariam se pudessem vê-lo.

Mas ele fixou-se como se fizesse parte da paisagem desde sempre, completamente imóvel por baixo do banco de pedra do jardim.

Elas vão andando no seu passeio da tarde, nem muito juntas nem muito afastadas. Hush vai espreitando melhor as redondezas e vigiando Mimi, mais pequena e entusiasmada.

E… dá olho no olho dele. Pára, quedo também, nem se mete na carapaça. Nem acredita que se possa ter aproximado tanto daquele bicho que actua com as garras com habilidade fantástica. De soslaio, sem mover a cabeça consegue vislumbrar Mimi já a passar da relva para o empedrado.

Olho no olho outra vez. Mas porque o gato não o ataca ou à Mimi?

Olho no olho percebe o medo que provoca no Miau. Então é isso!

Ele, tão hábil, não percebe que são simples tartarugas que nem conseguem mexer-se bem com uma carapaça tão forte e pesada, como o abrigo seguro que esta é quando o necessitam.

Algum, deles dois, vai ter que se mexer, mas por ora mais vale deixar Mimi brincar livremente no jardim, entre a pedra e a relva. Ela adora aquilo! E assim que se cansar vai a correr para o seu lago e refresca, mergulha e fica a nadar o resto do dia.

É só esperar que o ambiente mude, então ele enfia-se na carapaça ou vai recuando até ao seu querido lago.

É só esperar atentamente por algum indício de mudança… ou muda-se ele, Hush, quando o tempo certo chegar!

É só esperar o tempo certo para a mudança e aproveitar bem a oportunidade.

 

17
Dez10

Confiar no Pai

eva

ai é um condutor, é um chefe;

Alguém de confiança em quem confiamos a nossa direcção;

Por anos a fio confiamos no seu discernimento;

No seu sacrifício de chefe;

Confiamos na sua força;

Na sua lealdade para com os princípios morais e convenientes;

Em família e sociedade;

Confiamos na sua defesa para connosco;

Confiamos que nosso pai seja um verdadeiro Pai;

Desejamos que nosso pai seja um pai assim;

Desejamos ser um pai assim!

Confiamos!

 

16
Dez10

A força da esperança

eva

e já vi aqueles louva-a-deus? Nem sei o que são!

Ah, aqueles insectos! E para que servem? Digo, que utilidade têm na natureza?

Porque tudo é útil na natureza, pois não é?

Então para que servem?

Para nos inspirarmos? Essa agora!

Neste mundo de hoje não há contemplações!

Quem disse? Digo eu, dizemos todos? Não ouviste falar da crise?

Da financeira ou da económica?

Nada disso, da nossa crise, de nós, da nossa falha de esperança.

Esperança, sim! Ainda ontem vi um filme que retratava precisamente a força da esperança.

Pois claro que não é só para manter vivo um ser nas piores circunstâncias. Deverá servir para ser um móbil de progresso e sucesso. Algo que nos sustenta e faz sonhar…

Não, não esses sonhos de riqueza. Os sonhos de maravilhas e do maravilhoso que existe…

Algures? Pois, será algures, mas existe! E todos poderemos ser maravilhosos, um dia!

Não, não por um dia, mas a partir de um dia!

 

15
Dez10

O nunca não existe

eva

- unca!

- Olha, começa por aprender que o nunca não existe!

- Hã?

- É isso que te digo – o nunca não existe! Tudo, mas absolutamente tudo é possível de acontecer. O mais evidente hoje poderá ser a maior falsidade amanhã, o que hoje é seguramente nosso amanhã pode perder-se como se nunca tivesse existido, a melhor amizade de hoje pode chegar a ser desconhecida ou até a querer ser olvidada, o melhor emprego pode desaparecer simplesmente, e por aí afora.

- Então não vale a pena lutar pelas coisas?

- Vale a pena empreender bons projectos e responsabilidades, mas não achar que se é o dono do mundo, porque ninguém o é. Há leis cósmicas que nos ultrapassam e quando nascemos já havia quase tudo o que actualmente nos rodeia. Por isso deixemos veleidades para trás e prossigamos o caminho das nossas vidas com o melhor de nós.

- Aceitando tudo?

- Aceitando as vicissitudes e alegrias que vamos tendo e ajudando-nos a valorizar o melhor de nós, da humildade ao amor fraterno e compassivo.

- Então em vez de nunca

- Talvez seja melhor pensar que poderá haver outras soluções, premissas não revistas e outras possibilidades ainda desconhecidas – sempre!

- Então… até sempre!

- Até amanhã!

 

14
Dez10

Interiorização

eva

entes um vento? Não?

Ah! Sentes o vento.

Mas esse vento eu não sinto, eu sinto um vento.

Não, não é ventania, é um vento. Pois!

Se está dia ventoso, por aqui? Sei lá, não estou na rua, estou em casa.

Então como sinto eu o vento? Se o oiço pelas janelas?

Que disparate, já disse que não sinto o vento da rua!

Pois não! Então afinal que vento é este que eu falo? Ora!

O vento que falo - isto mais parece uma conversa surda que outra

Bem, o vento a que eu me refiro é este vento no meu corpo.

Se tenho febre? Não tenho febre nenhuma!

Vais dizer que nunca sentiste vento dentro de ti, a estremecer todos os teus órgãos, como se o corpo fosse atravessado por uma rajada de vento?

Se vai para baixo ou para cima? Sei lá, acho que rodopia e segue em várias direcções e volta… Pois, a bem dizer é um vendaval cá dentro de mim.

Queres que vá ao médico? Porquê, tu não sentes isto?

O quê? Ninguém sente? Mas por onde andas tu?

Está lá? Está? Oh! Já desligaste.

 

13
Dez10

Dar e receber

eva

bracei-o

Abracei-a

E esses abraços voltaram para mim

E encheram-se de energia boa

Então percebi que tudo

O que dou recebo aumentado

Mas não posso dar nesse interesse

Apenas dar

Com desinteresse meu

E muito carinho pelo outro

Descobri que se pode abraçar o planeta

O universo com estrelas escuridão e tudo

E senti toda a paz do amor que volta

Do dever cumprido

Da volta aumentada

Do carinho amoroso do abraço.

 

12
Dez10

Conversa de surdos

eva

- abedoria – é o que te digo!

- Mas… e quem a tem?

- Todos! Cada um tem a sua, a que lhe é possível ter, a que obtém a cada vez que procura…

- Procura? Procura o quê?

- Nem mais! Olha, eu procuro um lugar para me abrigar da chuva, que esta cai sem piedade!

- Mas… não chove nem um pingo!

- Essa agora!

- Pelo menos eu não sinto nem vejo chuva nenhuma e estou a teu lado. Como fazes isso?

- Mas isso o quê, senhores, se estou encharcado até aos ossos e tu pr’a aí a falar que nem chove!

- Ou tu ou eu estamos mal da cabeça ou a mentir com quantos dentes temos.

- Olha, ficamos aqui um bocadinho neste telheiro e depois continuas com as tuas razões. Agora paramos um pouco de correr e esperamos que a chuva abrande.

- Mas… qual chuva?

- Ai ai! Isto ainda acaba em zanga. Olha o melhor é seguirmos cada qual o seu caminho, ou seja o caminho mais curto para o trabalho. Amanhã é outro dia e talvez percebas melhor o mundo em que estás. Até amanhã! (isto só visto! Só a mim acontecem destas! Conversa de surdos, é o que é!)

- Eh, pá! Estava a brincar contigo, a ver se te irritavas ou assim. Era só pela piada! Mas nem reagiste com piada, assim não valeu a pena, segue o teu caminho sem apreensões. Estou bem do juízo estou. Adeus!

- (ai, não estás não!)

 

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