Ela estava com um vestido branco, de corte largo, no cimo do monte.
O marido ia ter com ela e trajava de escuro.
Ela sentia-se feliz, mas ele não tinha compreendido o que lhe acontecera e, pelo contrário, sentia-se triste.
Alegrou-se ao vê-la outra vez e admirou-a – ela estava como nos bons velhos tempos em que eram jovens e cheios de planos para a família que formavam.
Ainda bem, porque recordava constantemente, e com muita angústia, o aspecto dela na cama do hospital e tão doente.
A coisa boa, desse tempo, foi os médicos terem conseguido dar-lhe remédios que lhe tiraram as dores. Era o seu consolo.
Mas o que era isto que via, então?
A sua querida (Oh! Tão querida) esposa, ali, cheia de alegria e tão radiosa de luz e flores. E que era essa brisa que sentia e que a ela fazia esvoaçar os cabelos e o vestido?
Que era isto tudo?
Ela parecia falar tanta coisa, mas ele só via o movimento dos lábios e aquele brilho dos olhos que tanto amou e tanta felicidade lhe mostraram ao repartirem, juntos, tantos anos de vida comum.
Benditos anos foram esses!
Ela parecia querer mostrar-lhe agora um caminho (?) para as estrelas.
E no céu escuro da noite ele viu desenhar-se uma estrada, em rampa, com aquelas flores que rodeavam a esposa e que foram atapetar não só esse caminho como também as bordas.
Ela também lhe apontava para baixo, para a encosta do monte onde estavam e ele viu os filhos e netos.
Lembrou-se de lhes acenar e dizer adeus, sem saber bem porquê.
Não fez mal, porque eles não demonstraram vê-lo nem entender o que lhes disse.
E… já iam, de braço dado, como antigamente, pela tal estrada…
FIM
- Que dramalhão! Não sei se gostei…
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Harald Oscar Sohlberg - Reflexos
Imagem retirada da net
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Disse Henri Bergson: A vida é um caminho de sombras e luzes. O importante é que se saiba vitalizar as sombras e aproveitar a luz !
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