Eva diz o que sonha (e não só) sem alinhamento a políticas ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Um texto, uma imagem... para todas as idades

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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Teilhard de Chardin # O Meio Divino - Parte II

Aviso prévio
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Os excertos que serão aqui reproduzidos ao Domingo, em Fevereiro, são retirados da obra «O Meio Divino» do padre jesuíta Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955), da edição da Editorial Presença, Lisboa, Colecção Síntese, s.d., e a selecção é da minha responsabilidade.
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Segunda Parte – A Divinização das Passividades

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As passividades, como lembrámos no começo deste estudo, formam a metade da existência humana. As passividades acompanham sem cessar as nossas operações conscientes como reacções que dirigem, apoiam ou contrariam os nossos esforços.
Nós conhecemo-nos e dirigimo-nos num círculo incrivelmente reduzido. Imediatamente para além desse círculo começa uma noite impenetrável, e, no entanto, carregada de presenças, – a noite de tudo o que está em nós e à volta de nós, sem nós e contra a nossa vontade. Aí estão as trevas, carregadas de promessas e de ameaças, que o cristão terá de iluminar e animar com a Divina Presença.
Parece-nos tão natural o crescer que, ordinàriamente não pensamos em distinguir da nossa acção as forças que a alimentam nem as circunstâncias que favorecem o seu êxito. No entanto «que tens tu que antes não tenhas recebido?». Tanto ou mais que a Morte, recebemos passivamente a Vida. Penetremos no recanto mais secreto de nós mesmos. Examinemos de todos os lados o nosso ser. Procuremos aperceber-nos com vagar do oceano de forças recebidas passivamente em que está como que imerso o nosso crescimento. É um exercício salutar.
Ora pois, talvez pela primeira vez na minha vida (eu, considerado como alguém que faz meditação todos os dias!) peguei na lâmpada, e deixando a zona, aparentemente clara das minha ocupações e das minhas relações quotidianas, desci ao mais íntimo de mim mesmo, ao abismo profundo donde sinto confusamente que emana o meu poder de acção. Ora, à medida que me afastava das evidências convencionais com que é superficialmente iluminada a vida social, notei que me escapava a mim mesmo. A cada degrau descido, descobria-se em mim um outro personagem, cujo nome exacto já não podia dizer e que já não me obedecia. E quando tive de parar na minha exploração, por me faltar o terreno debaixo dos pés, deparava-se-me um abismo sem fundo donde saía, vinda não sei donde, a onda a que me atrevo a chamar a minha vida.
Que ciência poderá jamais revelar ao Homem, a origem, a natureza, o regime do poder consciente de querer e de amar, de que é constituída a vida? Não foi o nosso esforço, com certeza, nem o esforço de ninguém à nossa volta, que desencadeou esta corrente. Em última análise, a vida profunda, a vida fontal, a vida nascente furtam-se absolutamente à nossa apreensão.
E então, perturbado com a minha descoberta, quis voltar á luz, quis esquecer o inquietante enigma no confortável ambiente das coisas familiares, – recomeçar a viver à superfície sem sondar imprudentemente os abismos. Mas eis que, sob o próprio espectáculo das agitações humanos, eu vi reaparecer diante dos meus olhos experientes, o Desconhecido de quem queria fugir. Desta vez, não se ocultava no fundo de um abismo: agora, dissimulava-se por detrás da multidão dos acasos entrecruzados de que é tecida a teia do Universo e a da minha humilde individualidade. Mas era realmente o mesmo mistério: eu identifiquei-o. O nosso espírito perturba-se quando tentamos medir a profundeza do Mundo abaixo de nós. Mas vacila também quando tentamos contar as sortes favoráveis de cuja influência resulta, a cada instante, a conservação e o perfeito desenvolvimento do menor dos seres vivos. Depois de ter tomado consciência de ser um outro e um outro maior do que eu – uma segunda coisa me causou vertigens: foi a suprema impossibilidade, a formidável inverosimilhança de me encontrar a existir no seio de um Mundo realizado com êxito.
Neste momento, como qualquer que quiser fazer a mesma experiência interior, senti pairar sobre mim a angústia essencial do átomo perdido no Universo, – a angústia que faz sossobrar diàriamente vontades humanas debaixo do número esmagador dos seres vivos e dos astros. E se alguma coisa me salvou, foi o ouvir a voz evangélica, garantida por êxitos divinos, que me dizia, do mais profundo da noite: «Sou eu, não tenhas medo».
As forças de diminuição são as nossas verdadeiras passividades. O seu número é imenso, as suas formas infinitamente variáveis, a sua influência contínua. Em certo sentido, é de pouca importância o escaparem-se-nos as coisas, porque podemos sempre imaginar que elas nos voltarão às mãos. O terrível para nós é o escaparmos nós às coisas por uma diminuição interior e irreversível.
Humanamente falando, as passividades de diminuição internas formam o resíduo mais negro e mais desesperadamente inutilizável dos nossos anos. Na morte, como num oceano, vêm confluir as nossas bruscas ou graduais diminuições. A morte é o resumo e a consumação de todas as nossas diminuições: ela é o mal – mal simplesmente físico, na medida em que resulta orgânicamente da pluralidade material em que estamos imersos, – mas mal moral também, na medida em que essa pluralidade desordenada, fonte de todo o choque e de toda a corrupção, é gerada, na sociedade ou em nós mesmos, pelo mau uso da nossa liberdade. A qualquer instante, por mais comprometida pelos nossos pecados ou por mais desesperada que esteja pelas circunstâncias a nossa situação, podemos sempre por uma completa reparação, reajustar o Mundo à volta de nós e retomar favoràvelmente a nossa vida.
Perguntemo-nos, pois, como, e em que condições, as nossas mortes aparentes, isto é, as escórias da nossa existência podem ser integradas no estabelecimento, à volta de nós, do Reino e do Meio divinos.
Deus não pode, mesmo em virtude das sua perfeições ¹, fazer com que os elementos de um Mundo em vias de crescimento, – ou pelo menos de um Mundo caído em vias de soerguer-se, escapem aos choques e às diminuições mesmo morais.
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Conclusão das duas Primeiras Partes
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A Cruz foi sempre um sinal de contradição e um princípio de selecção entre os Homens. Onde ela aparece são inevitáveis efervescências e oposições. Demasiadas vezes a Cruz é apresentada à nossa adoração não como um fim sublime que devemos atingir ultrapassando-nos a nós mesmos, mas como um símbolo de tristeza, de restrição e de recalcamento. Esta maneira de pregar a Paixão é devida simplesmente, em muitos casos, ao emprego infeliz de um vocabulário pio em que as palavras mais graves (como sacrifício, imolação, expiação) esvaziadas do seu sentido pela rotina, são empregadas com uma ligeireza e um à-vontade inconscientes. Brinca-se com fórmulas. Mas esta maneira de falar acaba por dar a impressão de que o Reino de Deus não se pode estabelecer senão num ambiente de luto, indo constantemente contra a corrente das energias e das aspirações humanas. Apesar da exactidão das palavras, no fundo, não há nada menos cristão que essa perspectiva.
Tomada no seu sentido mais alto de generalidade, a doutrina da Cruz é aquela a que adere todo o homem persuadido de que, perante a imensa agitação humana, se abre um caminho em direcção a uma saída, e que este caminho é a subir. A vida tem um termo: portanto exige uma direcção de marcha, que de facto se encontra orientada para a mais elevada espiritualização por meio do maior esforço.
____________________________

¹ Porque as suas perfeições não poderiam ir contra a natureza das coisas, e a natureza de um Mundo suposto em vias de aperfeiçoamento, ou «em re-ascensão», é exactamente o estar ainda parcialmente desordenado. Um Mundo que não apresentasse já traços nem ameaça de Mal, seria um Mundo já consumado.
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Parte I nesta ligação
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Parte III nesta ligação
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Parte IV nesta ligação
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Disse Teilhard de Chardin : O  fracasso canaliza a nosa seiva interior, distingue as componentes mais puras do nosso ser, de modo a projectar-nos para mais alto e mais rectamente !
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publicado por eva às 08:10

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Sábado, 9 de Fevereiro de 2008

Grupos

Motas e motoqueiros, alegres e felizes, em grupo.
Param em afinidade de horários e interesses nas estações de serviço das estradas e das auto-estradas.
Enchem os lugares com as conversas e a alegria que trazem.
Sabem dos perigos e das famas que enfrentam mas a vida, para eles, regista esses valores em grande amplitude.
São anos e anos desse ritmo, semelhante a rally.
Tudo gira a uma velocidade estonteante.
Os luxos são a máquina, as competições, fatos e demais apetrechos de viagem.
O resto é passageiro. O convívio e o pitoresco das viagens valem o resto.
São as escolhas de cada um, as prioridades à vista e a serem realizadas, faça chuva ou faça sol.
Além dos preceitos habituais, há também os de cada um.
Encontramos facilmente os desordeiros e os ordeiros e cumpridores escrupulosos das boas maneiras.
Em todos os grupos, sejam de que perfil sejam, há sempre o pior e o melhor.
Os melhores são os que mantêm sempre a diferença de bem-viver, bem-estar e bem-respeitar.
Então, a vida e o convívio tornam-se tão, oh! tão mais agradáveis e salutares… 
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Imagem retirada da net 

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Disse Oscar Wilde : o egoísmo não consiste em viver como nos apetece, mas sim em querer que os outros vivam como a nós nos apetece !

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publicado por eva às 19:12

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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

Descanso

Alguns casais estão à beira de um rio que corre em margens rasteiras, de areia sem fim.
O sol está forte e torna a areia muito amarela.
Eles vêm de longe e de várias direcções. Alguns de mão dada, outros quase separados.
Olhando na direcção deles, vê-se uma mulher no rio, as pernas na água. Ela olha para baixo, para os pés.
Observa, muito admirada, o sangue que sai deles e que vai manchando a água.
A água do rio é cristalina e notam-se perfeitamente os veios de sangue que saem dos pés.
A admiração prende-se com o facto de não ter qualquer ferimento.
Conforme os casais se vão aproximando e juntando-se a essa mulher, ela começa a sangrar cada vez mais.
Alguém lhe dá um agasalho e, tirando-a da água, começa a tratá-la e a ligá-la para estancar o sangue.
O sol, cada vez mais forte, aquece-a, e mais repousada e limpa, parece dormir à beira do rio, na areia quente.
Os casais, em grupo, agradecem-lhe todos os esforços que fez para que pudessem reencontrar o amor que um dia juraram uns aos outros, em votos matrimoniais.
Restabelecendo, aos poucos, os amores da família, tinham vindo à sua procura , quando souberam dela.
Ela, que tinha entregue o seu amor para que eles recuperassem as suas famílias, tão afastadas.
Ela já não os ouviu.
Já podia descansar e dormir com os anjos. 
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Irmã M. Paraclita
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Disse  Elmer G. Letterman :  A personalidade pode abrir portas, mas só o carácter as pode manter abertas !
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publicado por eva às 22:27

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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Desculpas de quê?

Todos os três - vindos do nada - se juntaram para lhe pedir desculpas.
Mas desculpas de quê?
E eles insistiam de igual modo – o pai, a filha e a amiga. E depois ainda se juntou um tratador - das terras e dos animais.
Ela desculpou. O que quer que fosse!
Então eles explicaram que se ela não sabia, não valia de nada.
Tinha que desculpar sabendo, conhecendo a extensão do mal sofrido, do prejuízo, enfim…
Mas qual prejuízo? Se explicassem, seria mais fácil!
Bom, nesse caso de esquecimento… eles mostraram-lhe cenas de criança.
Pequenas mentiras e enganos, contratempos pelos gostos próprios sem perceberem que ela, criança, não poderia ter gostos iguais aos deles.
Percebia a posição deles todos, de completo alheamento quanto ao direito da sua infantil opinião.
Mais a mais sabendo eles, agora, que a opinião dela era precisamente contrária à deles.
Oh, eles agora sabiam muitas coisas e tinham que renová-las para lograr a melhor solução.
Sim, sim, ela desculpava aquilo que mostravam nas cenas e recordações.
Como? A filha pedia desculpa pelo excesso de amor? Porquê…? Isso era necessário?
Então, se estava a perceber, o amor não pode ser tão grande que sufoque. Tem que dar espaço à liberdade de cada um.
Pois, senão pode tolher o desenvolvimento que cada um deve prover na sua vida.
E eles, desculpavam-lhe a falta de diálogo?
Da inconfissão dos seus sentimentos?
Sim? Óptimo! Que possam ser felizes... e até qualquer dia!
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Verdade, Beleza, Liberdade, Amor

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Disse
Gabriel Garcia Márquez : a vida não é aquilo que vivemos, mas aquilo que recordamos e como a recordamos para contá-la !
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publicado por eva às 21:16

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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

Devoção

Obras missionárias, de caridade ou de benfeitorias.
Começam de modo modesto, administradas como casas de família. Com privações, muito trabalho, demasiado cansaço e muita, muita devoção.
Devoção a uma situação determinada e às pessoas envolvidas nessa situação.
Ou seja, devoção à causa.
São de uma ajuda preciosa a todos os que necessitam de um apoio, de um refúgio.
Às vezes até de um esconderijo onde possam descansar física e mentalmente.
Onde se creiam seguros para intervalar das suas preocupações.
Conseguir uma oportunidade para mudar o rumo que as suas vidas tomaram, quase sempre sem perceberem muito bem como, na precipitação de decisões e de acontecimentos inacabados.
E essas empreitadas de boa vontade vão aumentando com ajudantes e ajudados. E, muitas vezes, extravasam as suas responsabilidades criando algum cepticismo por quem antes admirava e confiava no seu trabalho.
Assistimos então à constância do justo querer e justo fazer.
Por outras palavras, tudo o que é de menos deve desenvolver-se.
Mas tudo o que é demais também deve evitar-se. 
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Imagem retirada da net
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Disse a sabedoria popular : é quando nos esquecemos de nós próprios que fazemos coisas que merecem ser recordadas !
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publicado por eva às 22:31

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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Aparece depois de morto

Aparece depois de morto, aqui e ali.
Não assusta ninguém e vai pedindo humildemente perdão.
Perdão por coisas para nós insignificantes como, por exemplo, de um dia que fomos a sua casa e em que foi agradecendo com as palavras usuais mas desapreciando mentalmente o que lhe leváramos.
Perdão por nos ter julgado inúteis nesta ou naquela tarefa que ele achava dever ser feita naquele dia e determinado modo.
Perdão por ter ficado melindrado quando foi ocupar um quarto em vez de outro que gostava mais.
Perdão por não nos ter vindo visitar quando o desejávamos mas apenas quando lhe dava jeito.
Perdão pelas vezes que nos abandonou para cumprir as suas tarefas no prazo correcto.
Perdão pelo seu atraso nas ocasiões festivas.
Perdão por ter mentido para não dar notícias desagradáveis.
Enfim, perdão por não ter sido melhor do que foi, pelas prioridades que estabeleceu e pela desatenção aos sentimentos de quem necessitava, ao seu lado, de compreensão e carinho.
Um dia veio despedir-se porque iria instruir-se e depois trabalhar aguardando outros, despreparados como ele, para essa vida que se segue a esta.
- E nós estamos a falar de alguém conhecido?
- Do filme que fui ver ontem. Não foi o que perguntaste?
- Não! Não fiz qualquer pergunta! Estive calada o tempo todo!
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Gustav Klimt

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Disse  Pier Paolo Pasolini : a morte não é deixar de comunicar, mas sim deixar de se ser compreendido !
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publicado por eva às 20:10

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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

Os problemas

Todos temos problemas, sejam os vulgares do dia-a-dia, sejam os mais ou menos graves, implicando maiores ou menores sacrifícios.
As questões que podem colocar-se são também variadas.
Mas, regra geral, os nossos problemas são menos ou mais difíceis de superar conforme a nossa capacidade para os resolver ou para conseguir ultrapassá-los.
A capacidade para simplesmente os resolver é mais fácil. Sobretudo se envolvem dinheiros e prazos pois é evidente que ter o dinheiro para pagar no momento certo é bom e recomenda-se.
Mas neste, como em todos os casos, é a nossa capacidade de os enfrentar que os torna incomensuráveis ou ténues.
Quantas vezes, geralmente depois de conseguirmos ultrapassar as situações, vemos pormenores que antes não tínhamos sequer suspeitado. Nem da sua importância nem da sua existência sequer.
E esses pormenores poderiam ter feito a diferença da solução.
Muitas vezes nem sequer teríamos de os ter suportado sózinhos.
Quantas vezes nos admiramos de ver portas que se nos fecham na cara quando mais precisamos ou, pelo contrário, mãos inesperadas de boa vontade que se nos estendem.
E quantas vezes foram essas mesmas pessoas esquecidas por nós.
Passado o tempo ajustado para ver com discernimento aquilo que nos emocionou, ou exaltou ou preocupou excessivamente, percebemos que poderíamos ter resolvido tudo de outro modo, mais pacífico e confiante.
Confiante de que cada um tem o peso das dificuldades que pode suportar.
Porque o excesso de peso somos nós que o criamos.
Paciência em suportar o menos bom e serenidade para dourar a esperança em dias melhores, são os melhores remédios e antídotos.
Mas o sofrimento sente-se sempre.
Só não atinge o desespero.
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Edvard  Munch

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Disse George Moore : há sempre um modo correcto e um modo errado. O modo errado parece sempre mais razoável ! 
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publicado por eva às 08:10

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Domingo, 3 de Fevereiro de 2008

Teilhard de Chardin # O Meio Divino - Parte I

Aviso prévio
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Os excertos que serão aqui reproduzidos ao Domingo, em Fevereiro, são retirados da obra «O Meio Divino» do padre jesuíta Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955), da edição da Editorial Presença, Lisboa, Colecção Síntese, s.d., e a selecção é da minha responsabilidade.
A leitura de Teilhard de Chardin foi desaconselhada pela igreja católica apostólica romana por um monitum de 30 de Junho de 1962.
Apesar disso, em 6 de Janeiro de 1975, na homilia da missa da Solenidade da Epifania do Senhor, o Papa Paulo VI fez uma citação explícita das duas primeiras frases da ‘Introdução’ de "O Meio Divino", indicando não só o título da obra mas também a página de onde foi retirado o texto citado (“Solennità dell’Epifania del Signore – Omelia del Santo Padre Paolo VI – 6 gennaio 1975”, www.vatican.va). Este facto, além de pressupor que o Papa conhecia bem o pensamento de Chardin, cuja leitura era desaconselhada pelo monitum, igualmente pressupõe que não a condenava pois não se coibiu de a referir numa cerimónia religiosa pública.
Também João Paulo II perfilhou nos seus escritos, por diversas vezes, o pensamento de T. de Chardin o mesmo se podendo dizer do então cardeal Ratzinger. 
No entanto, a validade do monitum de 1962 mantém-se, tendo essa validade sido reafirmada em 1981, quando se celebrava o centenário do nascimento de Teilhard de Chardin.
Para quem desejar um melhor conhecimento deste autor, permito-me aconselhar um excelente trabalho do Prof. Dr. Alfredo Dinis seguindo esta ligação.

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Observação importante

Não se busque nestas páginas um tratado completo de teologia ascética, – mas sim a simples descrição de uma evolução psicológica observada num instante bem determinado. Uma série possível de perspectivas interiores descobrindo-se gradualmente ao espírito no decurso de uma modesta ascensão «iluminativa», – eis o que pretendemos exarar aqui.

Introdução

O processo que seguiremos na nossa exposição será muito simples. Visto que, no campo da experiência, a existência de cada homem se divide adequadamente em duas partes, a saber, o que ele faz e o que ele sofre, focaremos alternadamente o campo das nossas actividades e o campo das nossas passividades.

Primeira Parte – A Divinização das Actividades


Nada é mais certo, dogmàticamente, do que a santificação possível da acção humana. «Tudo o que fizerdes, diz S. Paulo, fazei-o em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo». E a mais cara das tradições cristãs foi sempre ouvir esta expressão: «em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo» no sentido de: em união íntima com Nosso Senhor Jesus Cristo.
As acções da vida de que se trata aqui não devem ser entendidas, como se sabe, só das obras de religião ou de piedade (orações, jejuns, esmolas, etc.) Trata-se realmente da vida humana toda, mesmo nas zonas chamadas mais «naturais». Toda a vida humana é declarada pela Igreja santificável. «Quer comais, quer bebais…» – diz S. Paulo.
Mas o que contará lá no Céu, o que sempre permanecerá é que o meu amigo tenha agido em todas as coisas, em conformidade com a vontade de Deus. Deus, é claro, não tem nenhuma necessidade da sua industriosa actividade, visto que ele poderia ter tudo sem essa sua actividade. Aquilo que ele está exclusivamente interessado, o que ele deseja intensamente, é o uso fiel da sua liberdade e a preferência que lhe der a ele com relação aos objectos que o rodeiam.
Compreenda bem isto: na Terra as coisas foram-lhe dadas só como matéria de exercício para formar o espírito e o coração «a suo», isto é, sem o substracto da acção real perfeita. O meu amigo está num lugar de prova onde Deus possa julgar se é capaz de ser levado à sua presença no Céu. Está em experiência. Pouco importa portanto o que valem e em que se transformam os frutos da Terra. Toda a questão consiste em saber se deles se serviu para aprender a obedecer e a amar.
Onde estão as raízes do nosso ser? Que mistério o das primeiras células que um dia foram animadas pelo espírito vital da nossa alma. É em parte a história toda do Mundo que se representa em cada um de nós através da matéria. Por mais autónoma que seja a nossa alma, ela é a herança de uma existência prodigiosamente trabalhada, antes dela, pelo conjunto de todas as energias terrestres: ela encontra-se com a Vida e junta-se a ela num momento determinado.
Não há em nós um corpo que se alimente com independência da alma. Tudo o que o corpo admitiu e começou a transformar, a alma tem por sua vez de o sublimar. Ela faz isso à sua maneira e segundo a sua dignidade, sem dúvida. Mas não pode fugir a este contacto universal nem a este labor de todos os instantes. E assim se vai aperfeiçoando nela, para sua felicidade e correndo riscos, a capacidade particular de compreender e de amar, que constituirá a sua mais imaterial individualidade.
Não esqueçamos que a alma humana por mais criada à parte que a nossa filosofia a imagina, é inseparável, no seu nascimento e na sua maturação, do Universo onde nasceu. Em cada alma Deus ama e salva parcialmente o Mundo inteiro, resumido nesta alma dum modo particular e incomunicável.
O Mundo, pelos nossos esforços de espiritualização individual, acumula lentamente, a partir de toda a matéria, o que fará dele a Jerusalém celeste ou a Terra nova.
Pela nossa colaboração que ele suscita, Cristo consuma-se, atinge a sua plenitude, a partir de toda a criatura. É S. Paulo que no-lo diz. Imaginávamos talvez que a Criação acabara já há muito. Erro. Ela continua cada vez mais activa, e nas zonas mais elevadas do Mundo. E é para o acabar que nós servimos, mesmo por meio do trabalho mais humilde das nossas mãos. É este, em suma, o sentido e o valor dos nossos actos. Em virtude da interligação Matéria-Alma-Cristo, façamos o que fizermos, nós levamos a Deus uma porção do ser que ele deseja. Mediante cada uma das nossas obras, nós trabalhamos muito parcelarmente mas realmente na construção do Pleroma, isto é, contribuímos um pouco para o acabamento de Cristo.
Cada uma das nossas obras, pela repercussão mais ou menos distante e directa que tem sobre o Mundo espiritual, concorre para perfazer Cristo na sua totalidade mística.
Oxalá chegue o tempo em que os Homens, bem conscientes da estreita ligação que associa todos os movimentos deste Mundo no único trabalho da Encarnação, não possam entregar-se a nenhuma das suas tarefas sem as iluminar com esta ideia distinta, a saber, que o seu trabalho, por mais elementar que seja, é recebido e utilizado por um Centro divino do Universo !
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Parte II nesta ligação
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Parte III nesta ligação
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Parte IV nesta ligação
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Disse Teilhard de Chardin : Purifique a sua intenção e a menor das suas acções encontrar-se-á cheia de Deus !
 
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publicado por eva às 17:11

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Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

A net do mundo

Estão a arranjar os fios dos telefones, ou melhor, das telecomunicações.
A Internet chega a todos nem que seja por amizade de vizinhos ou colegas.
E os cabos têm de ser reforçados um pouco por todo o lado.
Uns homens penduram-se nos postes, outros desenrolam cabos no cão e outros ainda vão pelo chão dentro, por escadas metálicas em autênticos poços.
Tudo um pouco esquisito ou estranho de se ver, mas que resulta eficiente.
E lá vai mais um cabo de Internet efectuar a ligação de outras famílias ao mundo.
Esse é um dos encantos da net, o de possibilitar o mundo em casa no gesto dum clic , a qualquer hora; para aprender, ou falar, ou conversar.
Cada dia é mais fácil saber notícias de interesse mundial, mas também pessoal e de qualquer parte do mundo.
Talvez um dia a paz no mundo também seja só um clic no coração de quem conjectura a guerra.
E os povos poderão progredir e sorrir de alegria pela vida que podem desfrutar. 
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John Singer Sargent

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Disse Voltaire (François Marie Arouet) : o maravilhoso da empresa da guerra é que cada chefe de homens prontos a matar manda benzer as suas bandeiras e invoca solenemente a Deus antes de se lançar a exterminar o próximo !

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publicado por eva às 23:37

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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

A luz e o perfume

Ela, com os ossos deformados, a cara inchadíssima, o olhar no tecto, quase parados, sem mexer as pálpebras sequer.
Continuava na cadeira de rodas.
Ele, uma pálida sombra do que já foi. Agora completamente quebrado de dor e solidão.
Outra ela, magríssima pela dor da viuvez de um casamento feliz – não! – felicíssimo.
Duas almas gémeas tinham-se encontrado e depois da alegria da primeira neta, ainda bebé, ele falece “de repente”.
Tanta mágoa e amargura nesse olhar, nos gestos , até o modo de andar parece triste.
Outra ela está cheia de dores e inconsolável porque não tem boa posição de estar. Um desespero a cada instante.
À frente destes todos aparece uma figura de luz. Ou, melhor dizendo, talvez, uma luz suave com semelhança a uma figura de gente.
Essa luz brilhava… assim… simplesmente… algo ondulante, no meio da sala.
A princípio não repararam nela, isolados que estavam no seu próprio sofrimento.
A luz aproximou-se de cada um e como que os trespassou.
À vez, também eles se transformaram na dita luz.
Ficaram nessa ondulação suave, nessa transparência de luz.
E calaram-se… e depois choraram. Choraram muito.
E a luz, como apareceu, desapareceu.
E a sala ficou vazia porque eles também desapareceram.
Não sei como foi.
Mas sei que a sala ficou com um magnífico e doce perfume.
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Fotografia de Susan Burnstine
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Disse  Frank Outlaw (atribuído a) : Observa os teus pensamentos... tornar-se-ão as tuas palavras. Observa as tuas palavras... tornar-se-ão as tuas acções. Observa as tuas acções... tornar-se-ão os teus hábitos. Observa os teus hábitos... tornar-se-ão o teu carácter. Observa o teu carácter... tornar-se-á o teu destino !
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publicado por eva às 21:44

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