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Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Maria João Brito de Sousa # Um Fantasma no Pinheiro de Natal

 

Era o corpo-presente de uma ausência!
Perfeitamente nítido na sala,
E vestido a rigor... traje de gala
Num lençol de alva e pura transparência.

Mas lá que era fantasma... ah, isso era!
Do alto do pinheiro de Natal,
Olhou-me e acenou. Não me fez mal.
Disse-me: - Noutro Natal! Eu fico à espera...

Sorri-lhe também eu, disse-lhe adeus,
Sumiu-se por caminhos muito seus
E eu ali fiquei, muito orgulhosa...


Fora um presente que era só p`ra mim
Pois mais ninguém na casa o viu assim
Naquela noite gélida, invernosa.
.

. 
in “http://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/”
.
.
Disse Maria João Brito de Sousa: Não há nada que caiba numa só vida, exceptuando essa mesma vida !
.

.


publicado por eva às 13:39

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Domingo, 13 de Dezembro de 2009

David Mourão-Ferreira # Natal à beira-rio

.

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

.

.
in "Obra Poética 1948-1988"
 de David Mourão-Ferreira
.
 .
 
Disse  David Mourão-Ferreira:  Nós temos cinco sentidos: são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?
.

.


publicado por eva às 12:27

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Domingo, 6 de Dezembro de 2009

Jorge de Sena # Meu corpo, que mais receias?

.
- Meu corpo, que mais receias?
- Receio quem não escolhi.


- Na treva que as mãos repelem
os corpos crescem trementes.
Ao toque leve e ligeiro
o corpo torna-se inteiro,
todos os outros ausentes.


Os olhos olham no vago
das luzes brandas e alheias;
joelhos, dentes e dedos
se cravam por sobre os medos...
Meu corpo, que mais receias?


- Receio quem não escolhi,
quem pela escolha afastei.
De longe, os corpos que vi
me lembram quantos perdi
por este outro que terei.

 

.
in “Sinais de Sena – A poesia de Jorge de Sena”
álbum de Luís Cília, LP de 1985
.
.
Disse  Jorge de Sena:  Para a verdade caminham corpos que a não conhecem ou a conhecem apenas de nome trocado !
.

.


publicado por eva às 19:49

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Domingo, 8 de Novembro de 2009

Jalal Rumi # A evolução da forma

.
Toda a forma que vês
tem o seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma se esvanece, não importa,
permanece o original.

As belas figuras que viste,
as sábias palavras que escutaste,
não te entristeças se pereceram.

Enquanto a fonte é abundante,
o rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos
dois se detém?

A alma é a fonte e as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.
Afasta da mente todo o pesar
e sorve em grandes golos a água deste rio,
que a água não seca, ela não tem fim.

Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti
para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, tornaste-te planta
e, mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?

Finalmente foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla o teu corpo; um punhado de pó
vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido a tua jornada,
decerto hás-de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e a tua estação será o céu.

Passa de novo pela vida angelical,
entra naquele oceano,
e que a tua gota se torne o mar,
cem vezes maior que o Mar de Oman.

Abandona este filho a que chamas corpo
e diz sempre Um com toda a alma.
Se o teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca a tua alma.
.
.
de Jalāl ad-Dīn Muhammad Rūmī
in "Poetas Místicos"
.
.
Disse  Jalal Rumi:  Se eu continuasse a descrever o amor, uma centena de ressurreições passariam e a minha descrição estaria ainda incompleta !
.

.

NOTA: Sobre este tema há aqui um poema semelhante do mesmo autor

.

.


publicado por eva às 00:32

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Domingo, 1 de Novembro de 2009

Sebastião da Gama # Florbela

.
Florbela
(em sua memória)

Sou eu, Florbela! Aquele que buscaste.
Falam de mim Teus versos de Menina.
Tua boca p'ra mim se abriu, divina,
mas foi só o Luar que Tu beijaste.

Hás-de voltar, Florbela!… Em débil haste,
por entre os trigos cresce, purpurina,
a mais fresca papoila da campina
que, só por me veres, não cortaste.

Eu tenho três mil anos: sou Poeta.
Surgi dos lábios secos dum asceta,
de uma oração que Deus deixou de parte.

Redimi tantos corpos, tantas vidas
neles vivi, que sinto já nascidas
asas com que subir para alcançar-Te..
.
Arrábida, 6-11-1943
 
.
de Sebastião da Gama
in "Revista Alentejana"
.
.
Disse  Sebastião da Gama:  Cá estou eu,/ a julgar que vou remando.../ Cá vai Deus a remar/ E eu a ser um remo com que Deus/ Rasga caminhos pelo Mar...
.

.


publicado por eva às 19:34

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Domingo, 25 de Outubro de 2009

José Régio # Quando eu nasci

.
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
.
.
in "José Régio - Obra Completa"
.
.
Disse  José Régio:  As palavras mais repetidas podem tornar-se novas. Toda a gente as diz, quase ninguém as sente!
.

.


publicado por eva às 00:35

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Domingo, 18 de Outubro de 2009

Fiama Hasse Pais Brandão # Estrada de Fogo

.
Pedra a pedra a estrada antiga
sobe a colina, passa diante
de musgosos muros e desce
para nenhum sopé;

encurva, na abstracta encruzilhada;
apaga-se, na realidade. Morre
como o rastilho do fogo,
que de campo em campo aberto

seguia, e ao bater na mágica cancela
dobrava a chama, para uma respiração,
e deixava o caminho do portal
incólume e iniciado.
.
 
in "Três Rostos - Ecos"
de Fiama Hasse Pais Brandão
.
.
Disse  Fiama Hasse Pais Brandão:  O que nos chama para dentro de nós mesmos é uma vaga de luz, um pavio, uma sombra incerta !
.

.


publicado por eva às 12:13

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Domingo, 27 de Setembro de 2009

Alberto Caeiro # Da mais alta janela da minha casa

.
Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a Humanidade.

E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.

Quem sabe quem os terá?
Quem sabe a que mãos irão?

Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.

Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.

Passo e fico, como o Universo.

..
. 
in "O Guardador de Rebanhos", Poema XLVIII, de Alberto Caeiro
.
.
Disse  Alberto Caeiro:  Se há outras matérias e outros mundos - Haja !
.

.


publicado por eva às 00:44

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Domingo, 20 de Setembro de 2009

António Ramos Rosa # O Jardim

.
Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas,
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.

Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direcções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.

Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz
.
.
in "Volante Verde" de António Ramos Rosa
.
.
Disse  António Ramos Rosa:  Há em nós algo que é indefinível, incomunicável e indescritível !
.
 

publicado por eva às 00:33

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Domingo, 13 de Setembro de 2009

Sophia de Mello Breyner Andresen # A paz sem vencedor e sem vencidos

.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

.

in "Dual" de Sophia de Mello Breyner Andresen
 
 
.

Disse  Sophia de Mello Breyner Andresen:  Perdoai-lhes Senhor Porque eles sabem o que fazem !.
.

.


publicado por eva às 00:22

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