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Domingo, 30 de Novembro de 2008

Nikos Kazantzaki # Como conheci Alexis Zorba

Foram as viagens e os sonhos os maiores benfeitores que tive no decorrer da minha vida; quanto aos homens, muito poucos, vivos ou mortos, me ajudaram na minha luta. Se eu quisesse, no entanto, distinguir os homens que mais profundamente deixaram a sua marca na minha alma, nomearia talvez Homero, Buda, Nietzsche, Bergson e Zorba. O primeiro foi para mim o olhar pacífico e resplandecente, como o disco do sol que ilumina o universo com o seu brilho redentor; Buda, o olhar tenebroso e inacessível onde o mundo se afoga e se salva; Bergson libertou-me de certas questões filosóficas que permaneciam sem resposta e que me atormentaram nos primeiros anos de juventude; Nietzsche enriqueceu-me com novas angústias e ensinou-me a amar a vida e a não temer a morte.
Mas se eu tivesse que escolher um guia espiritual, um guru, como dizem os Hindus, um Velho como dizem os monges do monte Athos, seria certamente Zorba quem eu escolheria.
Porque era ele quem possuía isso que um escrevinhador precisa para ser salvo: o olhar primitivo que se apodera da sua presa como uma flecha vinda do alto; a ingenuidade criadora que todas as manhãs nos faz ver o universo como se fosse a primeira vez e dá uma virgindade aos elementos quotidianos e eternos – o vento, o mar, o fogo, a mulher, o pão; uma mão segura, um coração fresco, a coragem de se divertir com a própria alma e finalmente o riso sonoro e selvagem, vindo duma fonte profunda, mais profunda ainda que as entranhas do homem, que brotava, redentor, nos momentos críticos, do velho peito de Zorba: e quando brotava, podia abater, e abatia de facto, todas as barreiras – moral, religião, pátria – que o homem, medroso e miserável, ergueu à sua volta para caminhar coxeando, mas em segurança, ao longo da sua pobre vida.
Quando penso nesse alimento que durante tantos anos os livros e os mestres tinham oferecido a uma alma esfomeada, e nos miolos de leão que Zorba me ofereceu em alguns meses, dificilmente contenho a minha amargura e o meu furor. Não posso lembrar-me, sem que sinta o coração exaltar-se, com os propósitos que ele sustentava, as danças que ele dançava para mim, o santuri que tocava para mim, numa praia de Creta onde nós vivemos, seis meses, com uma multidão de trabalhadores, escavando a terra na esperança de encontrar um pouco de lenhite. Mas ambos sabíamos que esse objectivo material não passava dum pretexto para nos esconder aos olhos do mundo; o que nós queríamos era que o sol se pusesse depressa, que os operários largassem o trabalho, para irmos os dois instalar-nos na praia, comer o bom pão da aldeia, beber o nosso vinho seco de Creta e entabular conversa.
Eu raramente falava: que é que um intelectual pode dizer a um «papão»? E punha-me a ouvi-lo falar da sua aldeia situada no monte Olimpo, da neve, dos lobos, dos comitadjis, de Santa Sofia, da lenhite, de mulheres, de Deus, da pátria e da morte – e subitamente, quando se sentia oprimido e as palavras eram insuficientes para ele, erguia-se num salto sobre os seixos da praia e punha-se a dançar. Sólido, muito direito, ossudo, com a cabeça esticada para trás, os olhinhos redondos de pássaro, dançava, berrava, sulcava a praia com os pés enormes e borrifava a cara com água do mar.
Se eu tivesse escutado a sua voz, ou melhor, o seu grito, a minha vida teria adquirido um valor; viveria com o meu sangue, a minha carne e os meus ossos, aquilo que agora sonho como um fumador de haxixe e passo depois para o papel. Mas não me aventurei. Via Zorba dançar noite e dia, relinchando, a gritar-me para que eu saísse para fora da carapaça confortável da prudência e dos hábitos e partisse com ele para as grandes viagens sem regresso, mas ficava imóvel, transido.
Acontece-me frequentemente ter vergonha quando surpreendo a minha alma abstendo-se de levar a cabo o que o delírio supremo – a própria substância da vida – me impunha que fizesse; mas nunca tive tanta vergonha da minha alma como quando estava perante Zorba.
A exploração da lenhite foi um desastre completo. Zorba e eu tínhamos feito tudo o que podiam os, a força de gargalhadas, brincadeiras e discussões, para a levar à catástrofe. Não escavávamos para encontrar lenhite; isso era um pretexto para os homens sensatos e simples; era «para que eles não nos atirassem com tomates à cara», dizia Zorba, rlndo-se à gargalhada. - Porque a gente, patrão (chamava-me patrão e rebentava de riso), a gente, patrão, tem outros objectivos, objectivos mais elevados.
- Mas que objectivos, Zorba? – perguntava eu.
- Escavamos para ver se descobrimos os demónios que existem dentro de nós.
Não tardámos a esbanjar tudo o que me tinha dado o meu infeliz tio para montar escritório; despedimos os operários, assámos um borrego, enchemos um barril de vinho, instalámo-nos na praia junto da qual se encontrava a mina e pusemo-nos a comer e a beber. Zorba pegou no santuri, afinou a garganta velha e rouca e cantou um amané. Comíamos, bebíamos, e não me lembro de alguma vez me sentir tão bem disposto: a exploração da mina morreu, gritávamos, que Deus tenha a sua alma em descanso e nos dê longa vida. Para o inferno a lenhite!
Na manhã seguinte separámo-nos; eu voltei novamente para o meu mundo da escrita, levando comigo a ferida incurável feita por essa flecha cruel a que, à falta de nome melhor, nós chamamos espírito. Ele dirigiu-se para o norte, para ir ter à Sérvia, a uma montanha perto de Skopia, onde parece que descobriu uma rica veia de leucolite, levou à certa alguns ricaços, comprou ferramentas, contratou operários e pôs-se a abrir galerias na terra. Dinamitou os rochedos, fez estradas, canalizou a água, construiu uma casa, e, como era um velho ainda rijo, casou com uma linda viúva alegre, Liuba, de quem teve um filho.  
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in "Carta a Greco"
de Nikos Kazantzaki

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Disse  Nikos Kazantzaki:  O que não existe é aquilo que ainda não desejámos bastante !
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publicado por eva às 12:04

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Sábado, 29 de Novembro de 2008

Dilemas

Uma sala adaptada para receber uma plateia, pela disposição das cadeiras e da mesa.
A mesa teve toalhas mudadas e flores, etc., para ficar arranjada.
Todos os ajudantes destes trabalhos estavam satisfeitos e deram por acabados os preparativos e o convívio que, entretanto, se foi estabelecendo.
Encontros amigos, ou fraternos, fazem cada um sentir-se bem e provocam pensamentos de incredulidade perante as decisões de guerras, guerrilhas, raptos ou qualquer outro tipo de violência.
Como é possível o Homem ser capaz de coisas tão horrorosas e de outras tão belas ou tão úteis à humanidade?
Pressupõem homens de diferentes origens e objectivos. No entanto, o progresso é inato e impossível de deter, seja na Natureza seja no Homem.
Seja nos sistemas celulares mais simples ou nos mais complexos – o progresso ocorre de modo independente como por Lei Universal.
Então – porquê a perda de tempo? Porquê o desperdiçar de vida, sua e dos outros?
- Dilemas pouco consistentes, isso sim.
- Pois, as virtudes são boa semeadura e só por elas o Homem se sentirá, um dia, livre e em paz.
- Só se deixar cair o sub-reptício orgulho e a vaidade gerada.
- Por isso falei de as virtudes.

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Maria João Brito de Sousa – Essência
Imagem retirada da net

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Disse  Marguerite Yourcenar:  O nosso grande erro é querer encontrar em cada um, em especial, as virtudes que ele não tem e desinteressarmo-nos de cultivar as que ele possui !
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publicado por eva às 00:31

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Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Paralelo inacabado X

Era um templo abandonado.
Entre os muros baixos e de desenho recortado estavam as ervas crescidas.
Do lugar da porta, já desaparecida, avançámos para o que parecia ser um jardim interior.
Os muros tinham pequenas pedrarias, incrustadas, coloridas e brilhantes sob a luz do Sol.
Todos os lugares, ali, brilhavam em multicores, formando desenhos facetados, conforme as formas e arestas das ditas pedras.
Parecia um lugar irreal e, ao mesmo tempo, convidativo e apetecia ficar ali.
De qualquer modo, não conseguíamos mover-nos pois a beleza era tal que nos extasiava.
E em nós recaía, também, esse colorido, projectado, dos desenhos que se formavam de modo consecutivo pela luz do Sol que incidia diferentemente, a cada instante.
Desenhos alusivos às ciências e seus instrumentos estavam noutra parede, alta como se fosse uma fachada.
Seriam os arranjos para uma aula? Iríamos ter uma aula?
Não sabemos bem o que foi porque, conforme nos transportamos através da luz, assim voltamos pela luz.
Uma luz fortíssima, como de um holofote.
- Qual é o teu espanto, afinal? Foi um sonho dos teus, olha a novidade!
- Dos meus, não!
- Exactamente! Isso!

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Imagem retirada da net


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Disse  André Luiz:  A paz que procuras está no silêncio que não guardas !
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publicado por eva às 00:33

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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Perfumes

Um jacarandá com quatro passaritos no topo, nos últimos ramos.
E, mesmo sendo pequeninos, abanam os ramos com o seu peso.
E… são lindos!
Promovem uma beleza tão simples.
- É assim, não é? Para existir o belo, é necessária a simplicidade.
- Para mim também é assim. Creio que a beleza produzida, sendo beleza, não é tão bela quanto a natureza na sua beleza tranquila, por ser natural.
- É evidente que isto não quer dizer que não se tente o belo, mesmo fabricado. Porque todos somos sensíveis ao belo que, inclusive, nos faz sentir bem. Dispõe-nos bem, como os perfumes em frascos são agradáveis, excepto se forem excessivos porque, nesse caso, transformam a fragrância original. Enfim, o belo anima-nos, enleva-nos e o dia parece melhor.
- Não admira que haja tantos produtos de beleza e com tanta venda.
- É verdade e confesso que às vezes entro nessas casas de cosmética atraída pelas fragrâncias que emanam.
- Sem precisar de comprar?
- Pois, é verdade, mas são atraentes e por vezes necessito dessa cambiante durante o dia. Sabes… parece uma preciosidade o toque do belo em forma de perfume no ar, em alguns momentos. Há dias que não se escolhem, assim como há dias que se poderiam repetir… e repetir…

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Imagem retirada da net
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Disse  Dom Hélder Câmara:  O amor é o perfume das almas !
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publicado por eva às 19:55

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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Às vezes

Casacos, gorros, luvas e demais protecções contra o frio – todos os anos procuramos estes apetrechos contra o frio.
Mas às vezes não há aquecimento que chegue, porque o frio está no interior – no interior fundo do coração – é lá que está esse frio.
O frio da solidão, de não se sentir deste mundo, de sentir-se diferente ou incompreendido…
Um frio da separação do resto dos amigos e conhecidos – o tal só no meio da multidão.
Afinal, todos sentimos as diferenças entre uns e outros e todos nos sentimos uma ou outra vez sós, e isso pode ser bom, também.
E, às vezes, somos sonâmbulos em nós connosco. E dizemos coisas de rajada que nem parecem ser nossas ou sequer terem sido pensadas. E sonhamos e estamos no sonho – todos estamos em algum sonho (estamos mesmo!).
Todos somos semelhantes, mas só alguns percebem claramente estes estares na vida, no dia-a-dia.
E tanto pode ser doentio como maravilhoso, viver vivendo assim!

 

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Imagem retirada da net
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Disse  Giovanni Papini:  A multidão é niveladora e gosta de decapitar, ainda que metaforicamente !
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publicado por eva às 00:30

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Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

As prendinhas de Natal

O Natal ainda há-de vir e já se ouvem os que se fazem convidados.
Estes são os que utilizam a época natalícia para irem buscar dinheiros a outros, como se esses lhes fossem devedores de alguma coisa.
Não são necessitados, propriamente dito, mas têm o problema de gastar muito mais do que recebem e achar que podem resolver essa situação de mil maneiras inimagináveis.
Às vezes é preciso nervos de ferro e uma paciência de Job…
No entanto, vem aí uma época lindíssima e não podemos deixar que alguns pobres de Cristo a desvirtuem.
É época de prendas, mais de ofertas carinhosas que de prendas luxuosas.
Está agora na altura de começar a fazer, preparar ou comprar as prendinhas dedicadas especialmente a cada pessoa - seus gostos e necessidades.
As ofertas serão a tradução do nosso carinho, mais que do nosso dinheiro.
Então será possível fazer uma troca de Amor em todos os lugares que o possam festejar e desejar que a cada Natal nasçam mais lugares felizes e alegres festejos entre as gentes.
- Que sonho!
- Pois, às vezes temos que começar por sonhar…
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Imagem retirada da net
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Disse  Madre Teresa de Calcutá:  O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá !
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publicado por eva às 00:30

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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Conversas de jardim

Aparadores de relva, cortadores de cantos, tesouras para desbaste de sebes, etc.
Mil e um instrumentos para deixar os jardins mais bonitos.
Entretanto ouvem-se conversas de vizinhos com angariadores de casas para venda.
- Mas já está tudo vendido ou, por esse preço, não vale a pena vender… A vida está cara e difícil.
- Pois está, sim!
- É tentar outro trabalho…
- Estávamos a falar de emprego, direitos do trabalhador – lembra-se?
- Pois, é diferente é. Porque hoje ninguém paga nada a ninguém, sabe vomecê?
- Pois, mas há direitos…
- Olhe, há de tudo e de nada… depende do ponto de vista, sabe… Depende, é o que eu lhe digo!
- Adeus.
- Adeusinho.
Continua a ouvir-se o aparador de relva.
- Pois é, há os que trabalham, os que querem trabalhar e os outros – há, pois!
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Imagem retirada da net

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Diz o  Talmude:  Não ensinar o filho a trabalhar é como ensiná-lo a roubar !
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publicado por eva às 00:21

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Domingo, 23 de Novembro de 2008

Nikos Kazantzaki # Carta a Greco

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Três espécies de almas, três orações:
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........a) Sou um arco nas tuas mãos, Senhor; curva-me, senão apodrecerei.


........b) Não me curves demasiado, Senhor; posso quebrar.


........c) Curva-me até onde desejares, Senhor; e tanto pior se eu quebrar.




 

.....Ergui os olhos, fitei-te. Ia dizer-te:
.....- Avô, é verdade que não há salvação? – Mas a língua prendeu-se-me. E quando tentei aproximar-me de ti, os joelhos fraquejaram.
.....Então, estendeste a mão, como se eu me afogasse e quisesses salvar-me. Agarrei-a àvidamente: ela estava salpicada de manchas multicolores; queimava. Toquei-lhe, ela deu-me força, um impulso, e pude falar.
.....- Avô – disse –, dá-me as tuas ordens.
.....Tu sorriste, puseste a mão sobre a minha cabeça. Não era mão, era um fogo multicolor. E esse fogo derramou-se até às raízes do meu espírito.
.....- Vai até onde puderes, meu filho...
.....A tua voz era grave, sombria, como se saísse da garganta profunda da terra.
.....Atingira as raízes do meu cérebro, mas o meu coração não acusou qualquer sobressalto.
.....- Avô – gritei então com voz mais forte – dá-me uma ordem mais difícil, mais cretense.
.....E, bruscamente, mal o tinha dito, uma chama cortou o ar. Assobiando, o antepassado indomável com cabeleira entrelaçada de raízes de tomilho desapareceu da minha vista: no alto do Sinai apenas restava uma voz imperiosa, que fazia estremecer o ar.
.....- Vai até onde não puderes.
……………………………………...............................
Lembras-te daquelas palavras terríveis que nós, os cretenses, costumamos dizer: - «Volta aonde fracassaste; foge do lugar onde venceste!» Se fracassei e me sobrar ainda uma hora de vida, recomeçarei; se venci, abrirei a terra para vir deitar-me ao pé de ti.
.....Aqui tens, pois, o meu relato, general, e julga.
.....Escuta, Avô, o relato da minha vida; e se na verdade combati contigo, se fui ferido sem que ninguém se apercebesse que sofria, se nunca voltei as costas ao inimigo – dá-me a tua bênção.
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in "Carta a Greco"
de Nikos Kazantzaki

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Disse  Nikos Kazantzaki:  Toda a minha vida é um grito e toda a minha obra a interpretação desse grito !
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publicado por eva às 00:28

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Sábado, 22 de Novembro de 2008

Casamentos

Casamentos e votos matrimoniais – até que a morte os separe!
Tanta coisa que parece, até, fácil de cumprir.
E, evidentemente, se a vida continua segundo esses primeiros planos apaixonados será possível cumprir os tais votos.
Senão… talvez sim ou talvez não.
O amor pode suceder à paixão nas muitas pausas, algumas desistências e muitos desvios que a própria vida vai provocando.
Os empregos e as suas oportunidades geram grande parte desses desvios.
A saúde, ou a falta desta, são outros desvios na alteração dessas primeiras premissas.
E não esquecer a facilidade, ou dificuldade, financeira em gerir cada mês no novo lar a dois.
Mas é possível, sempre, ultrapassar todas as dificuldades com o bom entendimento entre os cônjuges, pois é permeando as suas capacidades de paciência e resistência que o entendimento se vai organizando e estabelecendo com a sensibilidade do amor.
Porque é por amor que se fala ou se calam as emoções na medida certa e no tempo ajustado à ocasião.
O amor é sempre a maior força que existe – a melhor energia – do Universo.
A força onde todas as outras vão dar em feixes de luz e formar uma estrela maior.

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Imagem retirada da net

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Disse  Florbela Espanca:  "Amo-te!"  Cinco letras pequeninas, Folhas leves e tenras de boninas, Um poema d'amor e felicidade !
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publicado por eva às 00:29

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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

A força do perdão

A força do perdão.
Quando perdoamos outrem é como se uma luz se instalasse em nossa vida.
Como diz a Oração da Paz, é poder consolar mais que ser consolado, é compreender mais que ser compreendido…
O perdão também dá isso e dá-nos ainda a sensação de não podermos ser ofendidos.
Porque, quando se desculpa, sempre que se perdoa, é possível não sentir já qualquer apreensão em nós mesmos.
Esse outro que recebe o nosso sentimento de perdão é alguém que ainda não percebeu o valor da ética na sua vida.
Ainda não elaborou, para si mesmo, um código de honra que o honre a ele.
Porque é disso que se trata.
Na nossa dignidade dignificamo-nos a nós, a nossa vida, a família, o trabalho e todos os que se relacionam connosco.
A honra é igualmente paz em nós mesmos.
Concluindo e generalizando: todas as virtudes dão paz interior e a expandem em redor.
São bem-estar!

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Giotto - Francisco de Assis
Imagem retirada da net


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Disse  Martin Luther King:  O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício !
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publicado por eva às 00:37

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