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Somos seres necessitados de sociabilização e, ao mesmo tempo, somos seres anti-sociais em recolhimento individual por opção própria.
Precisamos de encontrar o equilíbrio…
- Dos doces?
- Hã?
- Equilíbrio nos doces…
- Bem, podemos ir por aí… O equilíbrio dos doces ou da doçura nas nossas vidas. Somos todos criaturas de amor e doçura, das plantas aos animais, dos inanimados aos animados, aos indivíduos de todas as raças e culturas.
- E dos vingativos…
- A vingança antes do desejo de a ser, ou ter, é dor insuportável, consciente ou velada. Quantas vezes interpretamos, desejamos até o que não é mas o que nos parece que é, o que parece, com toda a certeza possível, e patente em todos os indícios que vamos encontrando. Tal como se esses indícios fossem semeados para nós os encontrarmos, ali mesmo à vista desarmada, para serem interpretados de modo igual ao que pensámos previamente e que nos objectivou essa mesma procura.
- A realidade muda assim?
- A interpretação que damos às coisas, geralmente, pré-existe nas nossas cabeças antes de as provarmos, ou confirmarmos por isto e por aquilo. Por isso cada um tem a realidade que merece, se interpretarmos esse merecimento em conformidade com os pré-requisitos dessa interpretação. Isto é, todos somos parciais nas interpretações a que somos levados, ou induzidos, pelo nosso carácter pessoal – por angústia, por orgulho, por distracção, ou afastamento ou isolamento ou por excessiva dedicação às coisas.
- Então somos o que escolhemos ser, conscientemente ou não?
- Somos o que podemos ser a cada instante e que podemos começar a alterar por nosso livre-arbítrio e, seguidamente, manter com a nossa força de vontade.
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A cada vez que sorris parece que um pouco do céu ilumina a tua face, a tua figura.
Porque será que um sorriso franco pode ser tão desanuviante, pode afastar tão depressa nuvens e nuvens de energias cinzentas que se posicionam em redor da cabeça da maior parte das pessoas?
- Isso causa dor de cabeça?
- Ao princípio sim, depois as pessoas habituam-se e apenas percepcionam que se sentem mal, ou tristes, ou algo assim…
- Então, isso não é falha na oxigenação, ou falta de vivência ao ar, durante o dia?
- Geralmente é descrito assim e, em boa verdade, o ar e os desportos ou actividades ao ar livre ajudam. Essa ajuda é variada, porque a pessoa distrai os seus pensamentos habituais noutras preocupações, como aprender algo novo e, por outro lado, o ar que vai oxigenando o organismo permite-lhe ter, também, outra capacidade de reacção.
- Afinal, o que acontece realmente?
- O que acontece ou o que aconteceu. Isto é, o indivíduo permitiu, algures no tempo, que determinadas preocupações ocupassem a sua mente e a partir daí é um rodopio de preocupações, umas razoáveis, outras nem tanto, que ocupam constantemente a sua mente. Isso vai provocar um cansaço mental porque se tornaram ocupações fúteis da mente. O mesmo se dá quando o quadro de interesses não tem utilidade – por exemplo, querer saber da vida dos outros por bisbilhotice, opinar à parva sobre tudo e todos, ler informação dramática ou que cause transtorno, etc. etc.
- Mas isso fazemos todos diariamente!
- Pois, geralmente as pessoas não estão habituadas a limpar a sua mente do que não interessa nem a exercitam de modo salutar, nem sequer para promover a sua personalidade. Geralmente, até conduzem os pensamentos em sentido contrário à sua saúde mental e, seguidamente, à saúde física.
- E quem vigia assim os pensamentos?
- Felizmente, já começa a ser do domínio público essa necessidade para a felicidade de quem adquiriu vícios mentais. Mas poucos são os que se auto-analisam e direccionam a sua vontade nesse sentido.
- E achas que vale a pena esse sacrifício? Porque é sacrifício, não é?
- Se é! É um esforço que se vai tornando cada vez mais continuado mas, no entanto, a determinada altura deste processo de limpeza mental, acontece que o hábito impera novamente e a rotina de bons e saudáveis pensamentos facilita tudo e o indivíduo adquire, para si próprio, uma personalidade mais construtiva e, logo, promotora da sua felicidade.

Diz um Provérbio indiano: O sorriso que dás volta para ti mesmo !
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- Olha! estou a voar, vês?
- Hum hummm…
- Olha! viste? Dei uma volta ali por cima da relva…
- Hum hummm…
- Então, não olhaste? Agora mesmo, fui a correr e daquele monte atirei-me a voar.
- Hum, bem, vamos embora!
- Embora, mas ainda agora chegamos…
- Pois, mas quero ir ali ao café.
- Oh! É sempre a mesma coisa! Mas tu prometeste que hoje à tarde ias ver-me só a mim e ver o que já tinha aprendido!
- Disse?
- Só mais uma voltinha, vá lá…
- Só mais uma e vamos embora. Também, já vai escurecer e tu não consegues ver onde pisas.
- Vejo sim, ora! Então agora vê lá com atenção. Olhaaa!
- Já tinhas feito isso?
- Já!
- Quando?
- Toda a tarde, então não viste nada?
- Vi, vi… mas não vi assim…
- Oh!
- Faz outra vez, então… dali, daquela ravina. Faz outra vez para ver melhor.
- Oh!
- Não fiques assim, gostei muito de te ver, não fazia ideia do que eras capaz!
- Pois, tu nunca te interessas pelo que os outros fazem, só e apenas por aquilo que tu fazes!
- Hum…
- Lá estás tu outra vez com o hum!
- Olha, vamos fazer de hoje um dia diferente. Vamos jantar fora!
- Não quero! Quero simplesmente estar contigo e mostrar-te o que sei fazer. Quero que te orgulhes de mim.
- Mas eu tenho orgulho em ti.
- Não! Quero que percebas que também já sou gente, que sinto a tua falta e que quero partilhar contigo as minhas coisas. Para que formaste uma família se não queres conviver com ela e preferes sempre os teus amigos? Eles não vão estar contigo quando precisares!
- Quando precisar?
- Sim!
- Agora adivinhas as coisas?
- Sempre as adivinhei e tu ainda nem deste por isso!
- Acho que o tempo está a passar muito depressa para mim…
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Todos queremos ser felizes…
- Alguns não!
- Como?
- Alguns apenas querem sobreviver protegendo a sua família e todos os que vão encontrando e esquecendo-se, na maior parte das vezes, de si próprios, numa abnegação total, a ponto de arriscarem a sua vida pelos outros.
- Mas esses são apenas alguns…
- Com certeza que sim, mas o seu valor, mesmo ignorado da maioria, é grandioso e quando olhamos para esses seres, a luz que resplandece da sua figura ofuscando tudo em redor. Parecem um holofote gigante e, não raras vezes, a sua figura física é diminuta ao olhar vulgar.
- Mas esses são apenas alguns, repito.
- O que quero dizer é que se esses existem no meio de nós, disto tudo que às vezes parece nem ter uma explicação racional e humana-humanista... Então, é possível que todos nos possamos transformar e regenerar nessa plástica mental.
- Plástica?
- Em formulações mentais muito mais adiantadas que o vulgar que se encontra no dia-a-dia. Esses simbolizam o que qualquer humano pode vir a ser, pode vir a conseguir…
- Isso são sonhos!
- Já diz o poema – quando um homem sonha o mundo pula e avança…
- Só quando o sonho é construtivo.
- Se há a hipótese, deve haver a prática.
- E bastaria sonhar, na tua opinião?
- Poderia, pelo menos, começar pelo sonho bem imaginado, bem traçado em programa de regeneração.
- Como os tratamentos para os viciados…
- Como qualquer terapia reconstituinte do ser ideal.
- Se é ideal…
- Se é ideal – se existe a ideia – então existe a sua possibilidade real.
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Festas – são tão bonitas quanto alegres e benfazejas.
São convívio, e cansaço e… sinal de coisa boa na nossa vida. Sejamos nós os festejados, ou convidados ou os empregados das ocasiões festivas.
As festas de que falamos não são obrigatórias para ninguém e, ainda menos, sacrifício ou martírio de alguns para gozo de outros.
Hoje publica-se, de vários modos, o teor de certas festas que mais não são que ocasiões de vícios, transacções comerciais de objectos e pessoas.
A escravidão humana está aí mais florescente e arrogante que antes, quando era legal.
E todos sabem, e todos calam, em culpas tão subdivididas que chegam a ser justificadas, e mais que desculpadas, porque se tornaram modos de vida institucionalizados.
Porém, nas festas, como em tudo, há o lado negativo e o lado positivo e o que queremos aqui realçar é o positivo, o das festas para todos os presentes partilharem tempos agradáveis e possíveis de se tornarem boas – inesquecíveis – recordações.
Porque chega a idade, o tempo individual, em que as recordações são o que mantém alguém vivo.
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Saber, conhecer, etc., as coisas que precisamos para trabalhar – uma opção comum à maioria dos que trabalham.
Saber, conhecer aqueles com quem convivemos diariamente, com a nossa família mais íntima e a nós mesmos, em todas as vertentes que temos de personalidade – uma opção que nem sempre é percebida como opção e, ainda menos, como essencial à evolução da nossa personalidade individual.
Saber e conhecer tudo o que nos rodeia e a nós mesmos – analisando conscientemente o que pensamos, falamos e fazemos. E o que falamos e fazemos sem pensar (!)
- Hã?
- Quantas vezes achamos que quem disse aquilo, ou fez aqueloutro, não podíamos ser nós mesmos?
- São os nossos repentes?
- Mas porque temos esses repentes, como dizes? Porque nos deixamos influenciar tanto que nem nos identificamos com algumas atitudes nossas que, efectivamente, pomos em prática?
- Algumas até conseguem enojar-nos, mas fizemo-lo…
- Então? Que influências deixamos que tomem conta de nós?! Sejam quais forem os nossos ímpetos, podem deixar de o ser. Mas para isso, torna-se necessário deixar a consciência actuar de modo lúcido por força da vontade.
- Que queres dizer?
- É necessário que a cada vez que esta ou aquela atitude, estas ou aquelas palavras não sejam reconhecidamente nossas, sejam percebidas e estudadas com lucidez e precaução.
- Precaução?
- Precaução de quem pisa esse terreno escorregadio pela primeira vez…
- Que terreno?
- O terreno da consciência viva em nós por nossa vontade e do discernimento de nós em nosso ser.
- Ou seja?
- Ou seja, reconstituir os pensamentos que nos fogem à velocidade da luz quando os queremos agarrar e reconhecer, e talvez lastimar, a falta de concentração que temos no verdadeiro eu de nós mesmos.
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Disse Gilbert K. Chesterton: E quando chover durante a tua caminhada, olha para cima e não para baixo. Sem a chuva, não haveria arco-íris !
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Quantos sonhos… quantos projectos… quantos dizeres… quantas palavras caladas…
Isso somos todos nós e cada indivíduo.
Quantas vezes calamos o que deveria ser dito e falamos o que não interessa?
- Como saber o que fazer?
- A melhor atitude é a que contém a verdade que ilumina, não a que acabrunha quem a ouve ou quem a diz. Mais vale manter a harmonia que apregoar o que está certo no tempo ou no lugar errado. A verdade tem ocasião para ser ouvida, tem ambiente próprio para ser admirada e aceite pelo seu valor. Senão, é vilipendiada e ultrajada por vários modos e não serve a ninguém.
- Então tudo tem uma harmonia própria?
- Incluindo o uso da palavra, ou da escrita, ou da arte, ou de qualquer outro modo de transmitir ideias e pensamentos. Porque tudo tem uma energia própria que pode interferir com qualquer outra energia, quer tenhamos, ou não, condições para perceber esses critérios e ambientes com facilidade.
- Então as boas palavras podem ser deitadas fora ou aproveitadas com sumo proveito conforme a situação em que são proferidas e não tanto pelo seu bom conteúdo?
- A sensatez é sempre boa conselheira…
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Tanta desilusão e ilusão… e tanta maravilha que não observamos nem sabemos notar.
Tudo à nossa volta tem luz e energia. Nós temos luz e energia.
Tudo tem luz e energias próprias e adaptadas ao estado evolutivo de cada um.
Assim como tudo se relaciona em si, entre si e vai equilibrando os mais fortes e os mais fracos nessa capacidade de luz e energias.
- Tudo se mistura?
- Bem, tudo e todos se influenciam e auto-influenciam. Isto é, o nosso estado de saúde é psicossomático assim como o nosso bem-estar é um estado somático de ambiente-relacionamentos-próprio eu.
- Tudo se mistura como os ingredientes diferentes numa massa homogénea para sair um bolo passado o tempo de cozedura no forno-energia…
- Isto é, todos nos influenciamos mas não perdemos a individualidade. Temos que ter em conta a beneficiação de certas companhias e ambientes da natureza para nosso bem-estar e da troca que deveremos proporcionar, tão positiva como a que é recebida.
- O contrário também é possível, não é?
- Quase tudo é possível no seu contrário. Mas o que interessa reter é que somos influenciados e influenciamos tudo à nossa volta. São energias recíprocas que dependem da afinidade entre elas – se estamos bem equilibrados trocamos boas energias, senão acabrunhamos ainda mais as que temos.
- Qual é o remédio?
- É fazermos por criar ideias optimistas, favorecer a esperança e a fé de que tudo, absolutamente tudo, é passível de mudar a cada instante e que todo o bem é possível de ser atingido por todos, sem excepção.
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Estamos habituados aos julgamentos em que se pretende fazer cumprir leis humanas e gerais para outros humanos acusados de não as cumprirem.
E assistimos a toda a espécie de incongruências de parte das acusações, de parte dos acusados e de quem julga.
Temos assistido a considerações de culpados a crianças e outros inocentes mais, sem qualquer poder que não seja a sua verdade.
E temos assistido a considerações de inocentes a adultos que bem sabem jogar com as leis e fazer prevalecer uma inocência perante essas leis. Conseguem criar situações que nada têm a ver com a verdade e, ainda menos, com a salvaguarda futura de outras pessoas e bens ao abrir precedentes.
A política, a capacidade financeira e, por vezes, as coincidências muito coincidentes ou, então, as sortes e azares de ter determinadas condições ou o facto de estar em lugar e tempos inconvenientes para a futura vítima são determinantes para que os termos requeridos de julgamento se façam com total impunidade legal.
As leis são para ser cumpridas conforme as situações que se elaboram para o efeito pretendido – acusação ou absolvição.
Contudo, quando não é mesmo possível alienar provas a outrem as leis prevêem ainda a inconstituição do processo ou a sua prescrição sem mais delongas.
E, para esta situação, é só deixar passar o tempo sem sequer olhar para o processo – porque às vezes a consciência pode tomar conta da mente…
Para os menos abonados da sorte neste mundo resta a esperança que, se nós somos e vivemos a cópia de um mundo perfeito, lá nesse mundo a verdade prevaleça em Leis perfeitas e, como tal, divinas.
A Esperança mantém o equilíbrio emocional e a saúde mental acima de toda alteração e das consequências individuais e sociais.
- Falamos da desmaterialização do ser?
- Também…
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