Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010
Todos somos artistas
odos somos artistas, se o quisermos, se nos voluntariarmos para isso.
Não digo artistas como se estivéssemos em constante espectáculo e esperando aplausos que agradem sobretudo à nossa vaidade.
Não digo artistas de obras-primas. Mas artistas no sentido de produzir pensamentos, palavras, atitudes e gestos que sejam artisticamente harmoniosos se fossem vistos de modo perceptível, por exemplo, como desenhos no ar em redor à nossa figura.
Todos somos compositores, se não de música pelo menos de sons, em semelhante proporção à anterior condição de artista. Isto é, de sons conforme a produção dos pensamentos, palavras, atitudes e gestos se fossem pressentidos por ouvidos perceptivos em qualquer parte do mundo.
E todos somos escritores, mesmo que não apareçam poemas ou textos lindíssimos sob as nossas mãos.
Ou seja, tudo o que somos e fazemos poderá ter repercussões que nem supomos, nem sequer imaginamos…
Porém, se aceitarmos que isto pode ser uma premissa verdadeira, então, poderemos tornar-nos artistas em nós mesmos e dar um toque de qualidade artística em tudo o que nos reflecte. Desde o simples bom dia! ao trabalho mais empenhado, à emoção mais carinhosa que sentirmos.
Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Amizade sincera
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mizade sincera? O que é?
- É… é…
- Confunde-se com amor? Amor platónico? Amor de mãe?
- É… é…
- É amor de mãe?
- É… é…
- É carinho?
- É, é! É especialmente carinho e fraternidade, se calhar com um pouco de tudo o que disseste antes.
- Pode ser assim tão abrangente?
- Todas as emoções podem ser redutoras ou abrangentes sem limites.
- É questão da nossa capacidade de ampliar as emoções e os sentimentos?
- É questão de sintonia.
- Somos energias puras, não é?
- Somos energia, ou energias.
- Parece-me haver uma certa relutância quanto á purificação?
- Da purificação tratam os nossos sentidos morais e éticos. Temos sensibilidade para saber o que está errado ou correcto. Seguir essa sensibilidade nem sempre é uma situação tão lúcida como possa parecer. A nossa mente tolda-se e muitas vezes aceitamos como certo o que há de mais errado.
- Então é tudo um emaranhado…
- Então, o uso do sentimento de benevolência para com todos, sejam quem sejam, não deixando de perceber a linha da ética moral, é o necessário. Porque há sempre uma causa que interfere de modo errado e outra que interfere de modo correcto.
- Andamos na vida como numa corda bamba?
- A cada passo fazemos o nosso caminho, com descuido ou com cuidado.
- Só a nós compete?
- Digamos que a cada um o seu quinhão de competência.
Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
Sonhar
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stou cansada de tanto sonhar!
- Sonhar ou dormir, porque o dormir também pode ser cansativo. São muitas horas numa cama fofa e em que nos afundamos confortavelmente…
- Credo, fizeste-me sentir culpada de dormir e ter uma cama. Como foi possível? Paguei o que está no quarto e é para desfrutar enquanto posso, ora!
- Não foi essa a ideia, foi apenas referir a razão do cansaço descansando.
- Pois, pois! Mas o que foi mesmo cansativo foram os sonhos, que foram muitos e agitados.
- Lembras-te do que sonhaste pela noite fora, ou só do último, como a maioria?
- Acho que me lembro de muito mais que do último, ou então tudo aconteceu só no último. Mas foi muita coisa e muita gente envolvida, que nem se conhecem – incrível!
- Nos sonhos tudo se baralha.
- Nos meus não, eles reflectem as minhas preocupações e os meus sonhos dourados, digamos assim.
- Como?
- Os meus anseios, o que gostaria que acontecesse…
- Ah! Fazes futurologia a gosto e a dormir – que prático!
- Achas que desejo as coisas com muita força e convicção?
- Acho que todos merecemos os sonhos que temos, seja qual for a razão que os elabore e promova.
- Ah! Assim é melhor…
Domingo, 7 de Fevereiro de 2010
Brilhos
abituamo-nos desde pequenos à higiene, tanto em nós como nos outros e nos lugares que passamos a frequentar, ou não, conforme a diferença de limpeza que apresentam.
A higiene faz, pois, parte integrante do nosso dia-a-dia. Por preceitos de higiene limpamos o nosso quarto, a nossa casa, o carro, o equipamento que usamos para os mais diversos trabalhos. As casas de banho, desde os sanitários à banheira, devem, para a maioria de nós, apresentar-se impecáveis, em termos de limpeza.
Tudo isto são hábitos modernos e tem a ver com o progresso da humanidade. No entanto, muitos lugares há em que esses preceitos nem um sonho chegam a ser, porque a ignorância destas necessidades é completa.
E aqui entramos no campo da ignorância – o que é para nós a ignorância?
- É escuridão da mente…
- É a despreocupação e felicidade antes da atrapalhação do conhecimento de algo…
- É…
- Pois é isso tudo, ou seja, é o relaxe e o erro contínuo antes da clareza mental sobre os assuntos – sejam estes de que índole sejam. Temos sempre ignorância desta ou daquela matéria, porque não conseguimos abarcar tudo o que já se conhece em todas as áreas científicas conjugando esses estudos com os afazeres e responsabilidades que vamos assumindo.
- Mas há quem tenha um conhecimento enciclopédico…
- Há, mas nem sempre esse saber é aplicado. Fica, em teoria, armazenado na memória. E portanto, não tem qualidade prática, é um desbobinar contínuo sobre temas variados. Contudo a especialização, em alto grau, sobre determinada área do conhecimento implica, geralmente, a necessidade desse conhecimento para o pôr em prática no trabalho diário.
- Ou seja, o saber não ocupa lugar.
- Não ocupa lugar e sem dúvida que amplia a capacidade mental, dando uma luz e brilho especiais ao intelecto... e ao ser.
Sábado, 6 de Fevereiro de 2010
Fronteiras
finalizamos esta conferência garantindo que a maior força cósmica que existe é constituída essencialmente por amor fraternal!
…
- Ufa! Já estamos perto de casa. Foi cansativa, não foi?
- A conferência? Não achei, mas reconheço que fui divagando pelos entremeios.
- Ah! Assim está bem! Assim aguenta-se quase tudo.
- Não é o que estás a pensar, os devaneios não são por vontade, são incapacidade de concentração, de dirigir a minha atenção. Em suma, são defeito e não pretendidos.
- Não percebo, tu eras a que melhor te concentravas, no que querias e quando querias.
- Pois, mas não sou. Parece que estou sempre cansada, nada me interessa e apenas espero o passar dos dias.
- Tens a certeza que és tu mesma? Pelo que acabas de dizer, nem te reconheço!
- Nem eu me reconheço na maior parte das vezes. Parece que estou aqui e noutro lado ao mesmo tempo.
- E sabes onde é isso que chamas de outro lado? É mais interessante que este teu dia-a-dia?
- Pois nem sei nada de nada, apenas que me sinto um pouco aflita por não poder resolver a minha direcção de pensamentos.
- Bem, se sentes aflição então não é por te encontrares melhor que aqui, portanto não se trata de fuga do presente.
- De modo algum, mas não sei o que é.
- Então só resta esperar para ver onde isso vai dar.
- Pois, obrigada! Isto é, devo agradecer esse conselho? Isso é um conselho a ter em conta?
- Quando não sabemos que fazer, esperamos quietos e atentamente por mais algum indício que possa tornar esclarecedora a situação, mesmo que seja um item mínimo.
Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010
O desafio da monotonia
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stou farto disto! Acordar sempre à mesma hora, fazer sempre os mesmos gestos durante o dia e por fim ir para a cama para dormir, ou esquecer – sei lá! – e repetir tudo por dias sem fim.
- Bem, isso sim que é estar farto! Até deixaste a morte de lado.
- Pois, até esse dia, então…
- Porque fazes tudo igual, ou melhor dizendo, porque não tentas inovar entre os minutos que vais tendo?
- Porque assim é mais fácil e os dias passam sem complicações.
- Ah! És tu mesmo que escolhes essa monotonia.
- Claro que é, sem dúvida! Assim não me atraso e não penso muito nas coisas.
- Que acontece se pensas, cansas-te?
- Não é isso, mas começo a ter opiniões e onde trabalho é melhor não as ter…
- Porque?
- Porque não está na minha mão alterar as coisas e também não tenho a certeza de estar a pensar melhor que a chefia. Agora, que há sempre possibilidades de fazer as coisas de outro modo e experimentar inovações – como disseste – há com certeza.
- Mas isso não quer dizer que não penses, nem sequer que não comentes com outros chefes mais directos, ou que escrevas à direcção as tuas ideias. Mas se te referes a falar, mal ou bem, só para falar, talvez não valha a pena o esforço. Podemos falar de tanta coisa útil sem ser a menosprezar ou elogiar de graxa os outros.
- Conversas com interesse, ali? Ah! Não estou a ver como, nem com quem.
- Aí está um desafio. Experimenta! Talvez te surpreendas com esses outros que pareces conhecer tão bem ou, quem sabe, te surpreendas contigo mesmo.
Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
Os pratos da balança
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dramático ficarmos à espera das últimas palavras de uma pessoa, ainda mais se ela nos é querida.
- E porque têm que ficar à espera?
- Questões de negócios por resolver, destinos das coisas conforme a sua vontade, em virtude das decisões já tomadas, etc.
- Mas não há outros que estejam a par desses empreendimentos e possam tomar as rédeas da situação?
- Há e não há. Isto é, haver quem suceda no cargo há, ou haverá assim que for eleito, mas ser capaz de executar as funções com a sua ética moral e qualidade de trabalho são coisas bem diferentes.
- Isso geralmente não acontece. Até se vê, mais vezes, a situação inversa, ou seja, que a um bom sucede outro menos bom e ao menos bom pode suceder um belíssimo.
- Dito assim, faz lembrar os pratos da balança em que o fiel se torna o tempo percorrido, não é?
- Bem… dito assim… eu, devo reconhecer, que pensei mais terra-a-terra.
Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
Um consolo e uma esperança
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oje acordei com aquela canção de Jesus na minha cabeça…
- Qual?
- Uma que diz quero viver como Jesus viveu, etc.
- Já sei, uma brasileira…
- Canta-se por aí…
- Bem, por aí?! Não é tanto assim, mas é conhecida e é muito melodiosa.
- Para todos, ateus e religiosos, Jesus foi um homem exemplar no sentido de ter demonstrado que se pode viver humildemente e manter as ideologias sem fazer mal a ninguém.
- Mas foi condenado sem acusação e martirizado sem piedade, apesar de ter ajudado todos os que foi encontrando numa vida de autêntica peregrinação.
- E foi um homem que conseguiu, sem nada pedir, dividir a humanidade em 2 eras, a era antes de Cristo e a era depois de Cristo.
- Além de ser aceite e acarinhado por todas as religiões como um exemplo – um Cristo – de cristificado, ou um representante divino entre nós.
- Como outros…
- Mas com outro impacto, que mais nenhum teve até hoje por todas as regiões da Terra, sendo ao mesmo tempo um consolo e uma esperança.
- Realmente a maioria, quando sofre, ou se lembra do sofrimento dele e cala o seu ou lhe pedem para aliviar esse sofrimento que não estão a conseguir suportar.
- O exemplo de Jesus e do seu modo de encarar a vida são conhecidos mundialmente, mas pouca gente reconhece o seu equilíbrio e dignidade em todo esse percurso e principalmente quando mais sofria.
- Sim, o sofrimento atroz é grandiosamente silencioso, ainda hoje!
Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010
Os tempos certos
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lá, bom dia! Há séculos que não nos vemos. Às vezes é assim, encontramo-nos facilmente e de repente tal não é mais possível.
- Pois foi, mudei de emprego e pronto! Os trajectos e as horas passaram a ser diferentes. O trabalho é semelhante mas com melhores condições em lugar-zona da cidade, acomodações e… em dinheiro também.
- Enfim, estás de parabéns.
- Por enquanto estou. O amanhã Deus dirá!
- Também lutaste tanto para mudares, estudaste e não poupaste quaisquer esforços para dares outro rumo à tua vida… Quem te viu e conheceu e quem te vê hoje nem percebe as tuas origens e a boa volta que lhes conseguiste dar. É um consolo assistir ao progredir de pessoas assim…
- Ora, não sou nenhum herói, mas efectivamente passei muito e quantas vezes quase desisti ou me arreliei por não conseguir dar nem mais um passo com o cansaço que sentia.
- Para trás ficou isso tudo, o futuro finalmente parece sorrir para ti. Bem hajas mais as tuas boas decisões.
- Sabes, no meio disto, descobri que temos que acertar os tempos. Há um tempo para ser intrépido e resoluto mas também há um tempo para ser paciente e esperar melhor oportunidade. Até qualquer dia e felicidades para ti também!
Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
Centros de força (Chakras)
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oje fico por aqui, vão ensinar-me a mexer com energias.
- Tens a certeza? Que é isto, ou isso, de mexer com as energias?
- Pois, olha que não percebi lá muito bem, a não ser concluir que isso pode ajudar a minha saúde e que está agora na moda.
- Vê lá o que fazes tu e as tuas iniciativas arrojadas, só para descobrir e descobrir nem sei bem o quê!
- Ora, descobrir a mim próprio! Além disso é fácil e não exige mais esforço que o da concentração.
- Tens a certeza? Não te querem angariar para nada, nem pedir nada?
- Bem, ter a certeza não tenho, mas parece que simplesmente se pagam as aulas e depois fico por minha conta.
- E fazes, ou fazem, exactamente o quê?
- Se queres que te diga ainda não percebi bem, mas dizem que tenho muito jeito.
- Jeito? Para quê?
- Para tratar de mim mesmo. Afinal ainda percebes menos disto que eu…
- Pois se eu nunca entrei aí!
- Qualquer um pode entrar e perguntar o que quiser, mas em relação a mim estão a ensinar-me um mundo de coisas que me rodeiam e a todos os seres vivos, e que nunca suspeitei. Especialmente que existem energias, como a energia eléctrica, que rodeia e está em tudo, animado ou inanimado. Porque até o que parece inanimado não o é, apenas tem outro tipo de energia que ainda não é bem conhecida. Pela concentração da nossa atenção conseguimos atrair a energia útil a qualquer parte do organismo, nosso ou de outrem, e promover aí a cura de qualquer problema.
- De qualquer problema?
- Sim, de doença física ou mental, assim como de problemas traumáticos ou de personalidade – tudo o que puderes imaginar.
- Parece o apregoar da antiga banha-da-cobra.
- Hã? Pois a mim parece-me ignorância maior que a minha, que ainda é muita…